Número de pessoas sem trabalho cai na comparação anual e rendimento médio do trabalhador registra aumento
Letícia Sales Publicado em 05/03/2026, às 09h24
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) divulgados nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice permaneceu estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, mas apresentou queda na comparação com o mesmo período do ano passado, quando era de 6,5%.
O resultado veio dentro das expectativas do mercado financeiro, que já projetava a manutenção da taxa nesse patamar.
De acordo com o levantamento, cerca de 5,9 milhões de brasileiros estavam desocupados no período. O número se manteve praticamente igual ao trimestre anterior, mas representa uma redução de 17,1% em relação ao mesmo intervalo de 2025, o que equivale a 1,2 milhão de pessoas a menos em busca de emprego.
Já a população ocupada chegou a 102,7 milhões de trabalhadores. O total ficou estável em relação ao trimestre anterior, porém cresceu 1,7% na comparação anual, com a entrada de cerca de 1,7 milhão de pessoas no mercado de trabalho.
Com isso, o nível de ocupação — indicador que mede a proporção de pessoas empregadas entre aquelas em idade de trabalhar — ficou em 58,7%. O percentual permaneceu estável no trimestre, mas avançou 0,5 ponto percentual em relação ao registrado um ano antes.
A pesquisa também aponta que 66,3 milhões de pessoas estavam fora da força de trabalho, grupo que inclui aqueles que não trabalham nem procuram emprego. O número ficou estável no trimestre, mas teve alta de 1,3% na comparação anual.
Entre os brasileiros que desistiram de procurar trabalho, a chamada população desalentada somava 2,7 milhões. Apesar da estabilidade no trimestre, houve queda de 15,2% em relação ao ano passado, o que representa cerca de 476 mil pessoas a menos nessa situação.
No mercado formal, o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39,4 milhões. O contingente se manteve estável no trimestre e registrou crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, com a criação de aproximadamente 800 mil vagas.
Por outro lado, 13,4 milhões de trabalhadores atuavam sem carteira assinada no setor privado, enquanto os trabalhadores por conta própria somavam 26,2 milhões — número que cresceu 3,7% na comparação anual.
A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o equivalente a cerca de 38,5 milhões de trabalhadores.
O levantamento também mostrou melhora nos rendimentos. O salário médio real habitual foi estimado em R$ 3.652, alta de 2,8% no trimestre e de 5,4% em relação ao mesmo período do ano passado.
A massa de rendimentos — soma de todos os salários pagos no país — chegou a R$ 370,3 bilhões, crescimento de 2,9% no trimestre e de 7,3% em um ano.
Ao analisar os setores da economia, o IBGE identificou crescimento do emprego principalmente nas áreas de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. Também houve aumento nas chamadas “outras atividades de serviços”.
Por outro lado, o setor industrial registrou retração no número de trabalhadores na comparação com o trimestre anterior. Já os serviços domésticos apresentaram queda no número de ocupados em relação ao mesmo período do ano passado.