Indústria apresentou uma inesperada retração no mês de outubro, interrompendo uma sequência de dois meses de crescimento
William Oliveira Publicado em 04/12/2024, às 12h57
A produção industrial brasileira apresentou uma inesperada retração no mês de outubro, interrompendo uma sequência de dois meses de crescimento. Segundo dados revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (04), a produção industrial caiu 0,2% em comparação ao mês anterior. Este resultado contraria a previsão de alta de 0,2% esperada por economistas consultados em pesquisa da Reuters.
Em uma análise anual, a produção industrial registrou um aumento de 5,8% em relação a outubro do ano anterior, ligeiramente abaixo da projeção de 5,9%. Apesar de o Brasil estar desfrutando de um mercado de trabalho robusto e aumento da renda, impulsionando a demanda interna e as políticas governamentais para estimular a atividade econômica, o país ainda enfrenta a possibilidade de manutenção prolongada dos juros em patamares elevados.
O desempenho do setor industrial no terceiro trimestre deste ano mostrou uma expansão de 0,6%, mas com desaceleração notável quando comparado ao crescimento de 1,6% observado entre abril e junho. O Banco Central do Brasil, em sua reunião mais recente, aumentou a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, atingindo 11,25%, com expectativas de novo ajuste na reunião final do ano.
O IBGE identificou que a principal pressão negativa sobre os resultados de outubro foi exercida pela queda de 2,0% na produção de coque e produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, após um crescimento de 4,7% no mês anterior. Destacou-se também a redução na produção de álcool. Outros fatores que contribuíram para o resultado foram os declínios nas produções de bebidas (-1,1%) e indústrias extrativas (-0,2%).
Por outro lado, o segmento automotivo destacou-se positivamente, com um aumento de 7,1% na fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias em outubro, sucedendo um avanço de 2,8% em setembro. Entre as categorias econômicas analisadas pelo IBGE, sobressaiu-se o crescimento na produção de bens de capital com alta de 1,6%. A fabricação de bens intermediários teve leve crescimento de 0,4%, enquanto a produção de bens de consumo registrou uma queda de 0,7%.
André Valério, economista sênior do Inter, destacou que o desempenho positivo dos bens de capital sugere uma continuidade no fortalecimento da formação bruta de capital fixo no início do quarto trimestre, tendência que já havia sido evidenciada nos resultados do PIB referentes ao terceiro trimestre.