Queda na projeção da inflação

Mercado financeiro revisa projeção da inflação para baixo e vê espaço para corte nos juros em 2026

Relatório Focus mostra IPCA em 5,15% enquanto taxa Selic permanece estimada em 14% ao ano; expectativas para o PIB e o dólar mantêm estabilidade

A calibragem da Selic é crucial para o controle da inflação e do consumo no Brasil - Imagem: Reprodução/ Marcello Casal JrAgência Brasi

LETICIA DA SILVA SALES Publicado em 20/07/2026, às 11h04

As expectativas dos analistas para o comportamento dos preços no Brasil continuam em trajetória de alívio. De acordo com o boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que baliza a inflação oficial do país, recuou para 5,15% ao final de 2026.

O dado consolida uma sequência de revisões positivas por parte do mercado financeiro. Na semana anterior, a estimativa coletada junto às instituições privadas estava em 5,16% e, há um mês, o patamar projetado chegava a 5,33%. O otimismo gradual estende-se aos anos seguintes, com previsões de inflação fixadas em 4,20% para 2027 e em 3,78% para 2028.

Estabilidade na atividade econômica e no câmbio

Em contrapartida ao recuo do IPCA, os demais indicadores macroeconômicos de longo prazo demonstraram resiliência e estabilidade nas planilhas dos analistas. A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 permaneceu estacionada em 1,99% pela terceira semana consecutiva — sutilmente acima dos 1,98% previstos há um mês. O mercado antevê uma expansão econômica de 1,65% para 2027 e uma aceleração para 2% em 2028.

No cenário cambial, a moeda norte-americana exibe previsões inalteradas há cinco semanas. A cotação estimada para o encerramento de 2026 está fixada em R$ 5,20, avançando para R$ 5,28 no ano seguinte e alcançando R$ 5,30 em 2028.

A dinâmica dos juros e o horizonte do Copom

Para a taxa básica de juros, a Selic, o relatório apontou manutenção da estimativa em 14% ao ano até o encerramento de 2026, patamar que se repete pela quarta semana. Como a taxa vigente estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em junho está em 14,25%, o mercado precifica que haverá pelo menos um corte residual de juros até dezembro. A autoridade monetária tem nova reunião agendada para os dias 4 e 5 de agosto.

O aperto monetário atual ocorre após um período severo de restrição de liquidez. Entre junho de 2025 e março de 2026, o Banco Central manteve os juros em 15% ao ano — o teto mais alto registrado pela autarquia desde julho de 2006. Esse ciclo de contração foi alimentado por sete elevações consecutivas promovidas entre o fim de 2024 e o primeiro semestre do ano passado.

A calibragem da Selic funciona como o principal mecanismo de controle de preços. Quando o colegiado opta por reduzir os juros, o crédito tende a ficar mais acessível, estimulando o consumo e as forças produtivas, embora essa flexibilização possa gerar pressões inflacionárias adicionais no médio prazo. Por outro lado, juros elevados encarecem os financiamentos e estimulam o aporte de recursos em poupança e renda fixa, contendo a demanda agregada e auxiliando no controle da inflação. O custo final do crédito ao consumidor, contudo, ainda engloba variáveis comerciais dos bancos, como margens de lucro, despesas administrativas e taxas de inadimplência.

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