Inflação

Mercado financeiro revisa previsão de inflação para 2025

Projeções de inflação para 2026 a 2028 permanecem em 4,5%, 4% e 3,8%, respectivamente

Projeções de inflação para 2026 a 2028 permanecem em 4,5%, 4% e 3,8%, respectivamente - Imagem: Reprodução / Pixabay

Gabriela Thier Publicado em 22/04/2025, às 14h45

O mercado financeiro revisou suas expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a medida oficial da inflação no Brasil, reduzindo a previsão para este ano de 5,65% para 5,57%. Essa atualização foi divulgada no Boletim Focus desta terça-feira (22), um levantamento semanal realizado pelo Banco Central (BC) que compila as expectativas de instituições financeiras em relação aos principais indicadores econômicos.

Para os anos subsequentes, as estimativas de inflação foram mantidas: 4,5% para 2026, seguidas por 4% em 2027 e 3,8% em 2028. É importante notar que a previsão para 2025 ultrapassa o teto estabelecido pela meta de inflação do BC, que é de 3%, com uma margem de tolerância de até 1,5 ponto percentual, resultando em limites de 1,5% a 4,5%.

No último mês de março, a inflação registrou um aumento de 0,56%, principalmente influenciada pelos custos dos alimentos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar desse crescimento, o IPCA apresentou uma desaceleração em comparação a fevereiro, quando alcançou 1,31%. No acumulado dos últimos doze meses, a taxa inflacionária totalizou 5,48%.

Taxa Selic

Para manter a inflação sob controle e buscar atingir a meta estabelecida, o Banco Central utiliza como principal ferramenta a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14,25% ao ano. A recente alta nos preços dos alimentos e da energia, juntamente com incertezas na economia global, levou o BC a aumentar novamente os juros em um ponto percentual na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em março. Este foi o quinto aumento consecutivo no ciclo atual de contração monetária.

Em comunicado oficial, o Copom destacou que a economia brasileira continua aquecida, embora haja sinais de moderação na sua expansão. O BC observou que tanto a inflação geral quanto os núcleos - que excluem itens mais voláteis como alimentos e energia - continuam a apresentar alta. Além disso, alertou sobre o risco persistente de elevação nos preços dos serviços e afirmou que continuará a monitorar as políticas econômicas vigentes.

Quanto às futuras reuniões do Copom, foi informado que há intenção de elevar a Selic "em menor magnitude" na reunião programada para maio; no entanto, não foram fornecidas indicações sobre ações futuras.

A projeção atual do mercado financeiro sugere que até dezembro deste ano a taxa básica pode alcançar os 15% ao ano. Para os anos seguintes (2026 a 2028), espera-se uma redução gradual da Selic para 12,5%, 10,5% e finalmente para 10%, respectivamente.

O aumento da Selic visa conter uma demanda aquecida. Essa estratégia afeta diretamente os preços devido ao encarecimento do crédito e ao estímulo à poupança. Entretanto, os bancos consideram outros fatores ao determinar as taxas de juros cobradas aos consumidores, como risco de inadimplência e despesas operacionais. Assim sendo, taxas elevadas podem dificultar ainda mais o crescimento econômico.

Por outro lado, uma redução na Selic tende a tornar o crédito mais acessível, incentivando tanto a produção quanto o consumo e promovendo um crescimento econômico mais robusto.

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