Inflação em alta

Inflação sobe 0,70% em fevereiro, puxada por educação e passagens aéreas

IPCA desacelera no acumulado de 12 meses e fica em 3,81%, dentro da meta; reajustes escolares tiveram maior impacto no índice

Analisamos as variações regionais e os principais grupos que influenciam a inflação, destacando os impactos em diferentes capitais - Imagem: Divulgação/ PHI

Letícia Sales Publicado em 12/03/2026, às 10h56

A inflação oficial do país acelerou em fevereiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,70% no mês, acima do avanço de 0,33% observado em janeiro. Em 12 meses, o índice acumula aumento de 3,81%.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado mensal ficou ligeiramente acima das projeções do mercado financeiro consultadas pela Reuters, que estimavam alta de 0,65% no mês e de 3,77% no acumulado de 12 meses.

No acumulado de 2026, o IPCA soma alta de 1,03%. Apesar da aceleração no mês, a inflação anual está abaixo dos 4,44% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores.

O principal impacto no resultado de fevereiro veio do grupo Educação, que subiu 5,21% e respondeu por cerca de 44% da inflação do mês. O avanço é explicado pelos reajustes anuais nas mensalidades de escolas e cursos, comuns no início do ano letivo.

De acordo com o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o resultado ainda é considerado moderado quando comparado a anos anteriores.

Em fevereiro do ano passado, no IPCA de 1,31% houve uma pressão do grupo habitação, em especial na energia elétrica, em função do fim do Bônus de Itaipu, o que não ocorreu no ano de 2026”, explicou Fernando Gonçalves. “Ainda na comparação com o ano anterior, Educação acelerou ao registrar 5,21% em fevereiro de 2026 contra 4,70% de fevereiro de 2025”, acrescentou.

Entre os itens que mais subiram dentro do grupo Educação estão o ensino médio (8,19%), o ensino fundamental (8,11%) e a pré-escola (7,48%). Os cursos regulares tiveram alta média de 6,20%.

Transportes e passagens aéreas pressionam índice
Outro grupo com impacto relevante foi o de Transportes, que registrou alta de 0,74%. O principal destaque foi o aumento de 11,40% nas passagens aéreas.

Também tiveram alta o seguro voluntário de veículos (5,62%), o conserto de automóvel (1,22%) e o ônibus urbano (1,14%).

Já os combustíveis apresentaram queda média de 0,47%. A gasolina recuou 0,61% e o gás veicular caiu 3,10%. Por outro lado, o etanol subiu 0,55% e o óleo diesel registrou alta de 0,23%.

Alimentação tem variação moderada

O grupo Alimentação e bebidas registrou leve avanço, passando de 0,23% em janeiro para 0,26% em fevereiro. Dentro de casa, a alimentação subiu 0,23%, influenciada principalmente pelos aumentos do açaí (25,29%), do feijão-carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%).

Por outro lado, alguns alimentos apresentaram queda de preços, como frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%).

Segundo Gonçalves, o comportamento dos alimentos mostra desaceleração em relação ao mesmo período do ano passado.

O grupo dos alimentos variou 0,26%, em fevereiro, mostrando desaceleração na comparação com fevereiro de 2025, quando registrou influência do ovo de galinha (15,39%) e do café moído (10,77%). No índice atual, tais subitens desaceleraram para 4,55% (ovo de galinha) e -1,20% (café), oitavo mês seguido de retração nos preços deste subitem, que acumula 10,13% de variação nos últimos 12 meses. Além desses produtos o arroz, importante na mesa dos brasileiros, já acumula queda de 27,86% em 12 meses dada a boa oferta do cereal”, destacou.

Outros grupos e variação regional

No grupo Saúde e cuidados pessoais, a alta foi de 0,59%, com destaque para artigos de higiene pessoal (0,92%) e planos de saúde (0,49%).

Habitação registrou variação de 0,30% após queda em janeiro. O resultado foi influenciado principalmente pelo aumento nas tarifas de água e esgoto em algumas capitais, incluindo São Paulo, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Regionalmente, a maior variação do IPCA ocorreu em Fortaleza, com alta de 0,98%, influenciada pelos cursos regulares e pela gasolina. Já a menor taxa foi registrada em Rio Branco, com avanço de apenas 0,07%.

INPC também sobe

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda, subiu 0,56% em fevereiro, acima dos 0,39% registrados em janeiro.

No acumulado do ano, o índice soma alta de 0,95%. Em 12 meses, a taxa ficou em 3,36%, abaixo dos 4,30% registrados no período anterior.

Entre as capitais, a maior variação do INPC também ocorreu em Fortaleza (0,98%), enquanto a menor foi registrada em Campo Grande, com apenas 0,07%.

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