BC

Gabriel Galípolo critica subsídios e fala sobre desafios da comunicação no Banco Central

O presidente do Banco Central enfatiza a importância de um diálogo aberto sobre política monetária

O presidente do Banco Central enfatiza a importância de um diálogo aberto sobre política monetária - Imagem: Reprodução / José Cruz / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 01/04/2025, às 16h05

Nesta terça-feira (01), durante uma sessão solene na Câmara dos Deputados, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, fez uma análise crítica da economia brasileira, destacando a presença de subsídios cruzados que ele considera perversos e regressivos. A declaração ocorreu em um evento que celebrava os 60 anos da instituição.

Galípolo ressaltou a importância de discutir abertamente esses temas com a sociedade, afirmando que um dos maiores desafios da autoridade monetária é a comunicação. "É natural que as pessoas desejem o melhor de dois mundos, mas é nossa responsabilidade explicar essas questões ao público", afirmou o presidente do BC, enfatizando a necessidade de um diálogo mais amplo sobre política monetária e outros assuntos relevantes.

O presidente destacou que a comunicação em torno da política monetária é uma prática relativamente nova para o Banco Central, com suas raízes se estendendo até os anos 90. Ele observou que mesmo instituições financeiras de grande porte no exterior enfrentaram dificuldades em comunicar suas decisões até recentemente. "As autoridades monetárias precisam cada vez mais dialogar com o público em geral", acrescentou Galípolo, indicando que isso deve incluir discussões sobre estabilidade financeira, regulação e medidas contra fraudes que impactam milhões de brasileiros.

Referindo-se à atual taxa de juros no Brasil, Galípolo argumentou que a eficácia dos canais de transmissão da política monetária pode ser inferior quando comparada a outros países. Em resposta a críticas recebidas durante a sessão sobre os altos índices da Selic, ele comparou essa situação à administração de medicamentos: "Às vezes é necessário aumentar a dose para alcançar o efeito desejado". Essa declaração surge em um contexto onde deputados expressaram preocupação sobre as implicações sociais das taxas elevadas.

Ele também mencionou que, apesar dos desafios impostos pelas altas taxas de juros, o Brasil experimenta um cenário econômico dinâmico, evidenciado pela recente queda do desemprego ao menor patamar histórico e pelo aumento nos rendimentos das famílias. Galípolo atribuiu parte dessas complexidades à estrutura de subsídios existentes na economia brasileira, que segundo ele, complica ainda mais os trade-offs enfrentados pela instituição. "Os ônus e bônus são mais evidentes para nós no Banco Central", concluiu.

Banco central Câmara dos Deputados Gabriel Galípolo política monetária Taxa de juros brasil

Leia também