Agro, comércio e construção seriam os setores mais impactados; especialistas alertam para aumento do custo do trabalho e queda na produtividade.
Redação Publicado em 22/02/2026, às 20h00
A proposta de extinguir a escala 6x1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar um — pode provocar forte impacto no mercado de trabalho brasileiro caso seja aprovada pelo Congresso Nacional. Nota técnica divulgada pelo Centro de Liderança Pública (CLP) aponta que a mudança pode resultar no fechamento de até 600 mil postos de trabalho no país.
De acordo com o estudo, os setores mais afetados seriam agropecuária, comércio e construção civil. Nessas áreas, a estimativa é de perda de produtividade de 1,3%, o que poderia levar ao encerramento de 1,6% das vagas. Em números absolutos, a agropecuária perderia cerca de 28 mil empregos; o comércio, 164 mil; e a construção civil, 45 mil.
A análise considera que a proposta mantém os salários atuais, mesmo com a redução da jornada, o que elevaria o custo do trabalho para as empresas. Segundo o economista-chefe da ARX Investimentos, Gabriel Barros, essa combinação geraria um choque negativo na produtividade.
“Como a PEC 6x1 propõe a manutenção do salário com redução abrupta da carga de trabalho, o custo do trabalho vai aumentar muito. Com a produtividade estruturalmente baixa, isso gera um impacto no crescimento do PIB”, afirma.
A nota técnica estima que, considerando o Produto Interno Bruto registrado em 2025, a redução da jornada poderia representar uma perda de aproximadamente R$ 88 bilhões em atividade econômica.
O economista Sérgio Vale, da MB Associados, destaca que alterações na jornada são possíveis, mas exigem avaliação macroeconômica mais ampla. “Há perda de PIB potencial associada a esse tipo de mudança”, afirma.
O debate sobre a escala 6x1 ocorre em um contexto de baixa produtividade no Brasil. Segundo o CLP, entre 2016 e 2025, a produtividade média do trabalhador brasileiro cresceu 0,5% ao ano, enquanto a média global foi de 1,5% ao ano.
Especialistas alertam que, sem aumento significativo de eficiência e inovação, a redução da jornada pode pressionar margens empresariais, impactar contratações e desacelerar o crescimento econômico.