A companhia atribui prejuízo a revisão na Chesf e queda nas despesas operacionais
Gabriela Thier Publicado em 15/05/2025, às 16h51
A Eletrobras reportou um prejuízo de R$81 milhões referente ao primeiro trimestre de 2025, conforme revelado em seu balanço divulgado nesta quarta-feira, dia 14. A companhia atribui esse resultado negativo a uma revisão na base regulatória de ativos da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), uma de suas principais subsidiárias, realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). "O impacto total dessa revisão atingiu R$952 milhões, afetando diretamente o resultado contábil da empresa", esclareceu a Eletrobras em nota oficial.
Além disso, as despesas com pessoal, material e serviços (PMSO) apresentaram uma queda significativa de 28% em comparação ao último trimestre de 2024 e de 8% se analisadas em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado é um reflexo das medidas adotadas pela empresa para otimizar sua estrutura organizacional e ajustar seu quadro de funcionários, seguindo uma tendência que já vinha sendo observada em trimestres anteriores.
No que diz respeito à renegociação de empréstimos compulsórios, a Eletrobras continuou a registrar uma trajetória decrescente desde sua capitalização. O total da dívida foi reduzido em R$ 2,9 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado e apresentou um recuo de R$ 447 milhões comparado ao último trimestre de 2024. Em 2022, o estoque totalizava R$26,1 bilhões, enquanto atualmente está em R$13,1 bilhões. Essa dívida é resultante de cobranças feitas nas contas dos consumidores finais para financiar a expansão do sistema elétrico brasileiro, cujas disputas judiciais estão sendo gradualmente resolvidas.
"Estamos cada vez mais focados no crescimento da companhia e na intensificação dos investimentos. Este é um novo momento para nós", afirmou Ivan Monteiro, presidente da Eletrobras. "A diminuição do PMSO e a redução das provisões para compulsórios são frutos da nossa estratégia para tornar a empresa mais eficiente, sempre priorizando a segurança dos ativos, das pessoas e do meio ambiente", completou.
Em termos de investimentos, a Eletrobras registrou desembolsos de R$912 milhões no primeiro trimestre do ano. Essa quantia representa uma queda de 25% em relação ao mesmo período de 2024, o que se deve à conclusão de um dos maiores projetos da empresa: o parque eólico de Coxilha Negra, localizado em Santana do Livramento (RS), que está operando desde abril com capacidade geradora de 302,4 MW e envolveu investimentos superiores a R$ 2,4 bilhões.
Destaca-se ainda no relatório que as obras do Linhão Manaus-Boa Vista avançam rapidamente, com 87% já concluídas e previsão de término para o segundo semestre deste ano. Esta obra, que ficou paralisada por mais de uma década, permitirá que todos os estados brasileiros sejam conectados ao sistema integrado nacional. O investimento total previsto para o Linhão é de R$3,3 bilhões.