Nova modalidade de empréstimo consignado para celetistas mostra potencial mesmo antes do início da adesão plena pelos bancos
Sabrina Oliveira Publicado em 04/04/2025, às 05h16 - Atualizado às 13h16
Com menos de duas semanas no ar, a nova modalidade de crédito consignado para celetistas já movimentou R$ 3,3 bilhões. O valor surpreende pela velocidade e reforça o potencial do programa lançado pelo governo federal. Mesmo antes do início da operação completa dos bancos, a procura pelos empréstimos com garantia do FGTS indica alta adesão dos trabalhadores.
Segundo o Ministério do Trabalho, esse valor tende a crescer exponencialmente nos próximos dias. Isso porque os bancos ainda não liberaram a opção em seus canais eletrônicos, algo previsto para 25 de abril. A partir dessa data, também será possível migrar dívidas com juros mais altos para o novo modelo consignado.
Francisco Macena, secretário-executivo da pasta, afirma que os bancos devem atuar de forma mais agressiva para oferecer essa alternativa. “Eles vão insistir na migração de linhas caras, como o CDC, para o consignado com FGTS, que tem juros bem menores”, destacou.
O grande diferencial da nova linha é a possibilidade de usar até 10% do saldo do FGTS como garantia, além de 100% da multa rescisória em caso de demissão sem justa causa. Isso torna o crédito mais seguro para os bancos e, consequentemente, mais barato para o trabalhador.
A contratação acontece de forma simples, pelo aplicativo da Carteira de Trabalho Digital. A partir do fim de abril, o processo será ainda mais fácil, com a opção de contratação também pelos sites e apps das instituições financeiras.
Enquanto o crédito direto ao consumidor (CDC) chega a ter juros médios acima de 5% ao mês, o novo consignado pode oferecer taxas próximas a 2% mensais, dependendo do perfil do trabalhador. A estimativa do governo é que os juros sejam até 40% menores do que em outras modalidades.
Segundo dados do Banco Central, o cheque especial tem uma média de 7,38% ao mês, enquanto o rotativo do cartão ultrapassa os 10% mensais. Com a nova modalidade, o trabalhador tem uma alternativa muito mais acessível e controlada.
A medida vale para todos os trabalhadores com carteira assinada no setor privado. Isso inclui rurais, domésticos e até empregados de MEI. São cerca de 47 milhões de pessoas aptas a contratar o crédito.
Mesmo quem utilizou o Saque-Aniversário do FGTS poderá solicitar o empréstimo. Em caso de mudança de emprego, o desconto em folha será transferido para o novo empregador.
Além dos novos empréstimos, a expectativa é que os bancos incentivem fortemente a migração de dívidas existentes. Estima-se que R$ 85 bilhões em empréstimos caros, como o CDC, sejam transferidos para o novo modelo. Isso pode representar uma economia significativa no bolso dos trabalhadores.
Apesar de a regulamentação final do uso do FGTS como garantia ainda depender da aprovação do Conselho Curador, marcada para junho, o governo acredita que o risco para os bancos é mínimo. Segundo Macena, o intervalo entre a contratação e a eventual demissão é pequeno, e o cenário foi considerado aceitável pelas instituições.