Reflexos

Conflito no Oriente Médio pressiona preços no Brasil

Alta do petróleo e dólar impacta itens como combustíveis e frete

Guerra entre Israel e Irã já eleva custos de energia e transporte no Brasil - Imagem: Reprodução/Freepik

Manoela Cardozo Publicado em 15/06/2025, às 12h58

A escalada do conflito entre Israel e Irã já começa a refletir nos preços no Brasil, com elevação do petróleo e impacto direto sobre gasolina, transporte e alimentos.

O Estreito de Ormuz, ponto nevrálgico por onde circula cerca de 25% do petróleo global, está no centro da atenção. O Irã ganha poder de ameaça sobre essa rota crucial, e mesmo sem bloqueios formais, o risco já provocou a maior empresa de petroleiros, a Frontline, a desviar rotas para evitar a região.

Na sexta‑feira, 13 de junho, o barril de petróleo registrou alta de 7,26%, alcançando elevação de 12,3% ante 10 de junho. Com isso, a Gazeta alerta para a pressão imediata no preço dos combustíveis derivados no Brasil.

Essa escalada no custo energético afeta amplamente os preços de consumo. Segundo o economista Renan Silva, “como 65% do transporte de cargas é rodoviário, o frete sobe e, com ele, o preço de mercadorias e alimentos ao consumidor”, afirma. Essa elevação de custos pode manter a taxa de juros elevada por mais tempo, na tentativa de conter a inflação já acima da meta.

Além disso, a tensão geopolítica aumenta a aversão ao risco global e fortalece o dólar — à medida que investidores buscam “porto seguro”. Isso torna importações mais caras e pressiona ainda mais produtos nacionais que utilizam componentes importados.

Mesmo que o impacto do conflito ainda seja inicial, economistas destacam que as pressões se acumulam em cadeia. Da extração ao varejo, os efeitos podem se refletir no IPCA e influenciar decisões do Banco Central sobre juros.

Esse contexto reforça debates sobre a necessidade de políticas públicas ativas. Estratégias de mitigação de custos na cadeia logística, subsídios seletivos ou ajustes tributários podem ser discutidos nas próximas semanas para aliviar o risco inflacionário.

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