Parceria mineral

Brasil busca parceria com Europa para explorar minerais críticos e terras raras

Embaixador brasileiro na Alemanha defende cooperação com transferência de tecnologia e maior protagonismo do país na cadeia produtiva

O embaixador destaca que a parceria deve incluir transferência de tecnologia e produção local, não apenas a exportação de matéria-prim - Imagem: Divulgação/ Hannover Messe

Letícia Sales Publicado em 07/03/2026, às 09h57

O Brasil pretende ampliar a cooperação com países europeus para a exploração de minerais críticos e terras raras, recursos considerados essenciais para setores como tecnologia, defesa e transição energética. A proposta foi apresentada pelo embaixador do Brasil na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, durante entrevista coletiva realizada na cidade de Hannover, no norte da Alemanha.

A declaração ocorreu durante um evento de apresentação da Hannover Messe, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo, que acontecerá entre os dias 20 e 24 de abril e terá o Brasil como país parceiro nesta edição.

Segundo o diplomata, a aproximação com a União Europeia pode fortalecer a cadeia de produção desses minerais estratégicos, especialmente em um momento de maior integração econômica entre os blocos, como ocorre com as negociações do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE.

Baena ressaltou, porém, que a parceria deve ir além da simples exportação de matéria-prima. “É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos”, afirmou.

Para o embaixador, o objetivo é agregar valor à produção dentro do próprio país. “É importante que pensemos na agregação de valor no Brasil. Façamos parte da cadeia de suprimentos e tenhamos transferência de tecnologia. Produção no Brasil, mas com a participação das nossas empresas”, defendeu.

O diplomata destacou ainda que o país possui grandes reservas desses recursos estratégicos, embora ainda não esteja entre os principais produtores globais. “Temos reservas importantes, sobretudo de terras raras, mas também de outros minerais, e podemos nos beneficiar da tecnologia europeia e, sobretudo, da alemã. Eu já tenho conversado com as autoridades alemãs sobre esse aspecto”, contou.

Minerais críticos incluem elementos como lítio, cobalto, níquel, grafita, cobre, manganês e nióbio, além das chamadas terras raras, um grupo de 17 elementos químicos utilizados na fabricação de tecnologias avançadas e equipamentos de energia limpa.

Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o país possui a maior reserva mundial de nióbio, com cerca de 94% do total global. O Brasil também concentra 26% das reservas de grafita e possui a terceira maior reserva de níquel do planeta, com cerca de 12%. No caso das terras raras, o país reúne aproximadamente 23% das reservas mundiais.

Esses minerais têm aplicações em turbinas eólicas, motores elétricos, baterias, equipamentos aeroespaciais e sistemas de defesa, sendo considerados estratégicos para o desenvolvimento tecnológico e energético.

Apesar do potencial, estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada apontam que, em diversos desses minerais, o Brasil ainda apresenta ritmo de produção inferior ao observado em outros países.

Durante a Hannover Messe, cerca de 140 empresas brasileiras devem apresentar tecnologias e inovações industriais ao público internacional. O evento reúne representantes de centenas de países na cidade alemã, que possui aproximadamente 550 mil habitantes.

Baena antecipou que o tema também terá destaque na programação brasileira. “Vamos fazer um evento paralelo sobre minerais críticos, mostrar as potencialidades do Brasil também nessa área”, afirmou.

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