Produção Veicular

Brasil acelera na produção de veículos, mas precisa frear riscos do exterior

Alta de 40% nas vendas externas anima o setor, mas entrada de veículos da China gera alerta na indústria

Mercado automotivo cresce no país, porém incertezas com tarifas e importações ligam sinal de alerta - Imagem: Divulgação/Volkswagen

Sabrina Oliveira Publicado em 08/04/2025, às 12h42

A indústria automotiva brasileira começou 2025 com o pé no acelerador. A produção de veículos cresceu 8,3% entre janeiro e março, chegando a 582,9 mil unidades fabricadas. No mesmo período do ano anterior, esse número era de 538 mil. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (8) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Além disso, as exportações surpreenderam. O Brasil enviou ao exterior 115,6 mil veículos nos três primeiros meses do ano. Isso representa um aumento de 40,6% em relação a 2024. Na ocasião, o país havia exportado pouco mais de 82 mil unidades.

Argentina puxa a fila

A recuperação econômica da Argentina foi o principal motor desse crescimento. O país vizinho aumentou em 120% a compra de veículos brasileiros. Esse movimento compensou, em parte, a queda de 19% nas exportações de março, quando o volume caiu para 38,9 mil unidades.

Colômbia e Chile também reforçaram a lista de compradores. O Brasil mantém posição de destaque na região e se consolida como um dos principais fornecedores de automóveis para a América Latina.

Importações crescem e geram tensão

Apesar do bom desempenho nas exportações, o setor está em alerta. As importações de carros aumentaram 25,1% no primeiro trimestre, totalizando 112,8 mil veículos. A China e a própria Argentina lideram esse avanço.

Segundo a Anfavea, os carros chineses preocupam. Muitos desses veículos chegam ao Brasil por meio de esquemas conhecidos como CKD e SKD, que permitem a montagem parcial no país, com menor carga tributária. Essa prática, afirma a entidade, ameaça empregos, fábricas e investimentos locais.

Empregos e investimentos em risco

O setor criou 8,1 mil postos de trabalho diretos em um ano. Em março de 2024, eram 101,4 mil empregados. Em março deste ano, o número subiu para 109,5 mil. Ainda assim, a entrada agressiva de importados pode comprometer essa trajetória positiva.

Além disso, cerca de R$ 180 bilhões em investimentos planejados podem ser revistos, principalmente se as isenções fiscais para montadoras estrangeiras continuarem a avançar.

Guerra comercial dos EUA impacta o Brasil

Outro fator de instabilidade é a política dos Estados Unidos. A Anfavea demonstrou preocupação com as tarifas impostas por Donald Trump sobre veículos mexicanos. Com isso, o México pode redirecionar sua produção para países com os quais mantém acordos comerciais, como o Brasil.

Segundo a entidade, esse movimento pode levar à saturação do mercado local e dificultar novos aportes na indústria brasileira. Ainda assim, há uma leitura otimista: o Brasil pode se beneficiar de rotas de produção alternativas, aproveitando brechas deixadas pela tensão comercial.

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