PIB sob incerteza

Banco Central mantém projeção de crescimento, mas alerta para riscos globais

Conflito no Oriente Médio pressiona inflação e aumenta incertezas sobre a economia brasileira

Déficit em transações correntes é projetado em US$ 58 bilhões, impulsionado por exportações de petróleo, mas cenário global é instável - Imagem: Reprodução/Marcello Casal JrAgência Brasil

Letícia Sales Publicado em 26/03/2026, às 13h42

O Banco Central do Brasil manteve em 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, mas sinalizou um cenário de maior incerteza diante dos impactos do conflito no Oriente Médio. A avaliação consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (26).

Segundo o documento, a continuidade da guerra pode provocar efeitos negativos tanto no Brasil quanto no exterior. “Se prolongado [o conflito], seus impactos predominantes, no país e no exterior, devem ser consistentes com um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e reduzindo o crescimento, ainda que alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar”, afirma a autarquia.

O BC também destacou os riscos de impactos duradouros caso haja interrupção prolongada no fluxo de mercadorias. “Se a distribuição de mercadorias continuar interrompida e a capacidade de produção reduzida na região por muito tempo, o impacto sobre os preços e a atividade pode ser duradouro e significativo”, acrescenta o relatório.

A manutenção da projeção de crescimento leva em conta o desempenho recente da economia e a expectativa de expansão moderada ao longo de 2026. O cenário é influenciado por fatores como juros elevados, desaceleração global e a ausência do impulso da agropecuária observado em 2025.

No campo da inflação, o Banco Central projeta alta ao longo de 2026, com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrando o ano em 3,6%, pressionado principalmente pelo aumento dos preços do petróleo. A probabilidade de a inflação ultrapassar o teto da meta, fixado em 4,5%, subiu de 23% para 30%.

A taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,75% ao ano, segue como principal instrumento de controle inflacionário. Após um ciclo de altas entre 2024 e 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou recentemente uma leve redução, mas não descarta rever o ritmo diante das incertezas externas.

O relatório também aponta crescimento de 9% no crédito em 2026, com destaque para empréstimos a pessoas físicas e empresas, embora em ritmo menor do que nos anos anteriores. A desaceleração, segundo o BC, reflete o impacto das taxas de juros elevadas e o alto nível de endividamento.

No setor externo, a projeção de déficit em transações correntes foi reduzida para US$ 58 bilhões (2,2% do PIB), impulsionada por exportações mais fortes, especialmente de petróleo, beneficiadas pela alta dos preços internacionais.

Apesar disso, o Banco Central alerta que o cenário global segue instável, com riscos associados à redução do comércio internacional e às tensões em regiões estratégicas como o Estreito de Ormuz.

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