Economia

Alta da Selic e endividamento freiam economia brasileira em 2025, projeta CNI

CNI alerta: crescimento econômico será menor por causa da Selic e dívida pública

Confederação Nacional da Indústria prevê desaceleração do PIB para 2,4% em 2025 - Imagem: Reprodução

Manoela Cardozo Publicado em 09/04/2025, às 10h12

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou na última terça-feira (08) uma revisão para baixo em sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2025. Segundo o novo relatório, o país deve crescer apenas 2,4% no ano que vem — bem abaixo dos 3,5% estimados anteriormente. O principal fator por trás dessa desaceleração é a continuidade da política monetária restritiva do Banco Central, com uma Selic ainda elevada.

De acordo com a CNI, a taxa básica de juros deve encerrar 2025 em 12,75% ao ano, acima da atual, de 12,25%. Esse patamar de juros inibe investimentos e encarece o crédito, o que afeta diretamente o ritmo de crescimento da economia.

Além disso, a entidade aponta para uma redução no impulso fiscal e menor dinamismo no mercado de trabalho como fatores que devem contribuir para o desempenho mais fraco. O setor industrial, por exemplo, que deve crescer 3,3% em 2024, terá um avanço mais modesto de 2,1% em 2025.

Outro dado preocupante é o das contas públicas. O déficit primário deve subir de R$ 34,9 bilhões este ano para R$ 70,2 bilhões no próximo, o que corresponde a 0,6% do PIB. Já a dívida bruta deve saltar de 78,7% para 81,9% do PIB, o que pressiona ainda mais o cenário fiscal.

A CNI avalia que o pacote de corte de gastos apresentado pelo governo ao Congresso é positivo, mas insuficiente. Segundo a entidade, serão necessárias medidas mais consistentes para garantir o cumprimento das metas fiscais e estabilizar a trajetória da dívida pública.

A inflação deve recuar levemente: o IPCA deve fechar 2025 em 4,5%, ante 4,8% em 2024. Já o dólar, após um pico recente, deve recuar ao longo do ano e fechar com média de R$ 5,70.

O relatório da CNI deixa claro que 2025 será um ano de cautela. A economia brasileira, ainda sob os efeitos de juros altos e de uma política fiscal limitada, tende a crescer de forma modesta, exigindo atenção redobrada do governo e do setor produtivo.

dólar Inflação PIB Banco central dívida pública Selic cni mercado de trabalho JUROS contas públicas IPCA ECONOMIA BRASILEIRA CORTE DE GASTOS PROJEÇÃO Indústria câmbio déficit crescimento econômico política monetária política fiscal

Leia também