Com menos de 300 indivíduos restantes na Mata Atlântica, a presença da onça-pintada é crucial para o equilíbrio dos ecossistemas locais
William Oliveira Publicado em 29/07/2025, às 12h11
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) do Rio de Janeiro registrou uma descoberta histórica: a presença de uma onça-pintada (Panthera onca) no Parque Estadual da Serra da Concórdia, em Valença, no sul do estado.
O avistamento é inédito há décadas — o último registro confirmado no território fluminense remonta à década de 1970, quando a espécie foi considerada extinta localmente devido ao avanço urbano e à destruição de seu habitat.
O animal, um macho adulto, vem sendo monitorado desde dezembro de 2024 por meio de armadilhas fotográficas instaladas pelo Inea em parceria com o Projeto Aventura Animal, que atua na preservação da fauna nativa.
Reconhecida como o maior predador terrestre das Américas, a onça-pintada tem papel fundamental no equilíbrio dos ecossistemas. Segundo o Inea, restam menos de 300 indivíduos da espécie na Mata Atlântica, o que torna o novo registro ainda mais relevante para a conservação ambiental.
O secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, celebrou a descoberta e destacou a responsabilidade envolvida.
“Trabalhamos também para que a população fique segura com a presença desse importante animal, garantindo a tranquilidade de todos. Essa notícia é uma grande felicidade para todos nós, mas traz com ela também uma grande responsabilidade”, declarou.
Técnicos do Inea analisam pegadas e fezes para identificar os hábitos alimentares do felino, que se alimenta de presas como capivaras, catetos e tapitis. Até o momento, não há registros de ataques a animais domésticos ou de criação.
Está previsto um plano para a captura temporária da onça com o objetivo de instalar um colar de monitoramento e realizar exames laboratoriais. A ação será feita em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Um dos fatores que pode ter favorecido o retorno da espécie à região é o aumento da cobertura vegetal nativa. Entre 1985 e 2024, a área florestal no estado do Rio de Janeiro passou de 30% para 32%. A meta do governo é atingir 40% até 2050, o que corresponde à restauração de cerca de 400 mil hectares de Mata Atlântica.
Além de recuperar a biodiversidade, essa ampliação tem potencial para remover mais de 159 milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera, colaborando com os esforços globais contra as mudanças climáticas.