NATUREZA

Impacto ambiental: Desmatamento na Amazônia aumenta pela 5ª vez consecutiva

No mês de outubro, foram devastados 419 km² de floresta, marcando um incremento de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior

Desmatamento na Amazônia aumenta pela 5ª vez consecutiva - Imagem: Reprodução / O Globo / Edilson Dantas

William Oliveira Publicado em 27/11/2024, às 08h54

A região amazônica vivenciou um preocupante aumento no índice de desmatamento pelo quinto mês consecutivo, conforme apontam dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). No mês de outubro, foram devastados 419 km² de floresta, marcando um incremento de 44% em relação ao mesmo período do ano anterior. Este número representa a sétima maior área desmatada para o mês desde o início das medições em 2008.

Os estados que mais contribuíram para essa alarmante estatística foram Mato Grosso, Pará e Acre, responsáveis por 78% do desmatamento total, somando 330 km² de área perdida. Esses estados destacaram-se também por abrigarem nove dos dez municípios com maiores índices de desmatamento, sendo o Amazonas a única exceção na lista.

No que diz respeito às unidades de conservação, as mais afetadas estão situadas nos estados do Pará e Acre, com três áreas protegidas comprometidas em cada um. Juntas, essas regiões representam uma perda de aproximadamente 19 km², o equivalente à área de quase dois mil campos de futebol.

Raissa Ferreira, pesquisadora do Imazon, destacou a pressão crescente sobre essas áreas protegidas e sua vulnerabilidade diante das atividades ilegais. "Os crimes ambientais impactam diretamente as populações locais, reforçando a urgência em proteger esses territórios", afirmou Ferreira.

Em relação à degradação florestal, o levantamento do Imazon revela que 6.623 km² sofreram degradação em outubro, o que corresponde a quatro vezes a extensão da cidade de São Paulo. A degradação difere do desmatamento completo, pois envolve apenas a remoção parcial da vegetação, frequentemente causada por queimadas ou extração de madeira.

O estado do Pará liderou em área degradada no mês, com 2.854 km², seguido por Mato Grosso e Amazonas, com 2.241 km² e 1.082 km², respectivamente. Nos primeiros dez meses de 2024, o bioma amazônico registrou um total de 32.869 km² degradados – uma área que corresponde a 21 vezes a cidade de São Paulo e supera em quase três vezes o recorde anterior estabelecido em 2017.

Carlos Souza Jr., outro pesquisador do Imazon, explicou que a temporada seca na Amazônia geralmente contribui para um aumento na degradação devido às queimadas intensificadas durante este período.

"Assim como o desmatamento, a degradação emite gases de efeito estufa, que intensificam os efeitos das mudanças climáticas, como as graves secas que estamos vivendo na Amazônia. Por isso, precisamos de ações mais efetivas de combate a esse dano ambiental, principalmente se quisermos cumprir com a nova meta climática brasileira", comentou Souza Jr.
Amazônia Mato Grosso Mudanças Climáticas Queimadas desmatamento OUTUBRO Pará degradação Imazon áreas protegidas

Leia também