Matheus Costa Publicado em 18/10/2025, às 08h41
Na última semana, o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luís Roberto Barroso, despediu-se da Corte. Sua aposentadoria antecipada já era esperada, pois o ministro vinha sinalizando essa decisão nos últimos meses.
Com a vacância, abre-se uma nova disputa por um dos cargos mais poderosos da República: o de ministro do Supremo Tribunal Federal.
A função do STF é zelar pela Constituição, mas os embates sucessivos nas últimas décadas fizeram crescer uma crítica: parte do Congresso e de setores da sociedade acredita que a Corte tem ultrapassado seus limites constitucionais. Nesse contexto de tensão institucional, a escolha do presidente Lula ganha uma dimensão política ainda maior.
Entre os nomes mais cotados, dois perfis se destacam: o senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado Federal, e Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União.
Rodrigo Pacheco representa algo muito importante: a governabilidade. Advogado de formação, ex-presidente do Congresso e figura de postura moderada, Pacheco foi essencial na manutenção de uma relação institucional estável entre o governo e o Senado. Lula já expressou publicamente sua gratidão por isso.
Por trás dessa equação, há também um componente eleitoral. O presidente enxerga em Pacheco o nome ideal para disputar o governo de Minas Gerais em 2026, um estado estratégico para qualquer projeto de reeleição. Essa perspectiva, entretanto, pode fazer com que o nome de Pacheco fique em segundo plano neste momento.
Importante mencionar que existe um movimento de bastidores conduzido por Davi Alcolumbre, atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado. É ele quem, de fato, dita a pauta do Senado e do Congresso Nacional. Sua força entre os senadores é inegável, o que o torna um dos maiores “cabos eleitorais” de Pacheco, assim como boa parte dos parlamentares que referendam — ou não — a escolha do presidente.
Por outro lado, Jorge Messias é um aliado antigo de Lula. Próximo ao presidente há quase vinte anos, tem perfil técnico, discreto e uma trajetória marcada pela lealdade. Em uma escolha puramente pessoal, seria o nome natural — o ministro do coração.
Lula tem reafirmado publicamente sua prerrogativa de indicar o nome que desejar, demonstrando o interesse de não se submeter a pressões nem do Senado nem do próprio Supremo.
Nos bastidores, entretanto, os movimentos recentes indicam articulações cuidadosamente calculadas. Na última semana, Jorge Messias, que é evangélico, participou de uma reunião ao lado do presidente da República, do bispo Samuel Ferreira — líder da Assembleia de Deus, Ministério Madureira, a maior denominação evangélica do país — e do deputado federal Cezinha de Madureira, ex-líder da bancada evangélica, com trânsito direto entre o Planalto e o Congresso. O encontro foi visto como um gesto importante nos dias que antecedem a próxima indicação para o Supremo Tribunal Federal.
Por outro lado, chamou atenção a reunião da qual Messias não participou: um jantar promovido por Lula com os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino. Do governo, estiveram presentes os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça) e Rui Costa (Casa Civil). A ausência do Advogado-Geral da União — figura que normalmente participa desses encontros — foi interpretada como um sinal de proteção, uma tentativa do presidente de preservar seu possível indicado das pressões políticas e midiáticas.
Lula tem sido aconselhado a não demorar na nomeação, para evitar o aumento da pressão pública e das negociações internas. O presidente considera fundamental ter no Supremo mais um ministro com quem possa manter diálogo direto e de confiança. Jorge Messias se encaixa perfeitamente nesse perfil.
Por esses motivos, mesmo diante da força política de Pacheco e do apoio de bastidores, a nomeação de Jorge Messias é praticamente certa. Tudo indica que o anúncio oficial poderá ocorrer nos próximos dias.