Agenor Duque Publicado em 12/02/2025, às 06h36
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou nesta segunda-feira (10) sua posição intransigente diante do grupo terrorista Hamas. Depois que a organização palestina acusou Tel Aviv de descumprir os termos do acordo de cessar-fogo e adiou a liberação de reféns israelenses, Trump deixou claro que, se os reféns não forem soltos até o meio-dia de sábado, o cessar-fogo será cancelado e o inferno se soltará sobre Gaza.
A ameaça de Trump encontrou apoio imediato dentro do governo israelense. O ministro das Comunicações de Israel, Shlomo Karhi, afirmou que a única resposta possível seria interromper totalmente a ajuda humanitária, cortar o fornecimento de eletricidade e água e lançar uma ofensiva sem precedentes contra o Hamas. “É hora de abrir os portões do inferno para o Hamas — e desta vez, sem nenhuma restrição aos nossos heroicos combatentes”, declarou Karhi em sua conta oficial no X, antigo Twitter.
O Hamas havia prometido libertar mais reféns dentro do cronograma do cessar-fogo, iniciado em 19 de janeiro. Entretanto, na segunda-feira, anunciou que a entrega seria adiada, sob a alegação de que Israel teria violado os termos do acordo ao impedir o retorno de deslocados palestinos ao norte da Faixa de Gaza. O grupo também acusou Israel de alvejar civis com bombardeios e tiros, justificando sua decisão de não cumprir o combinado.
A decisão do Hamas de retardar a liberação dos reféns provocou reação imediata de Trump, que não hesitou em reforçar sua linha dura. O presidente norte-americano reivindicou o mérito de ter articulado o cessar-fogo, mas afirmou que não toleraria que o grupo terrorista usasse táticas dilatórias para evitar a devolução dos sequestrados. “Se todos os reféns não forem devolvidos até sábado ao meio-dia — o que me parece uma data razoável —, eu diria: cancelem tudo, todos os acordos caem e deixem o caos se instalar”, declarou Trump a jornalistas na Casa Branca.
O Hamas reagiu às palavras de Trump, classificando-as como “inúteis” e “complicadoras”. O alto representante do grupo, Sami Abu Zuhri, afirmou que as ameaças não trariam soluções e que a única maneira de garantir a libertação dos reféns seria o respeito aos termos do acordo de cessar-fogo.
Desde o início da trégua, Israel e Hamas realizaram cinco trocas de reféns e prisioneiros. A cada fase, israelenses sequestrados em 7 de outubro de 2023 foram libertados em troca de centenas de prisioneiros palestinos. No entanto, a decisão do Hamas de suspender a troca de sábado foi vista por Israel como uma violação grave, levando o Exército israelense a colocar suas forças em prontidão máxima.
O Ministério da Defesa de Israel determinou a suspensão de todas as folgas de soldados na região de Gaza e intensificou as operações de monitoramento aéreo com drones. Enquanto isso, nos bastidores, aliados de Israel e mediadores internacionais tentam evitar que a situação se deteriore a ponto de levar ao fim definitivo do cessar-fogo.
Trump, no entanto, demonstra pouca paciência para negociações prolongadas. Conhecido por sua abordagem direta e sem rodeios, o presidente norte-americano já havia deixado claro que sua prioridade é garantir a segurança de Israel e a libertação dos reféns. Em suas declarações, Trump destacou que não aceitará libertações graduais ou demoradas. “Eu diria que deviam ser devolvidos até ao meio-dia de sábado e se não forem devolvidos todos eles, não aos poucos (...) depois disso, todo o inferno vai se instalar”, advertiu.
A posição firme de Trump também tem implicações geopolíticas amplas. Em paralelo à crise com o Hamas, o presidente dos EUA indicou que está considerando cortar ajuda ao Egito e à Jordânia caso os países árabes não acolham palestinos deslocados, conforme seu plano para a região. No entanto, líderes desses países já rejeitaram essa possibilidade. O rei da Jordânia, Abdullah II, declarou que não aceitará qualquer tentativa de deslocamento forçado de palestinos, enquanto o Egito reforçou que qualquer plano que comprometa os direitos dos palestinos não será aceito.
Enquanto o prazo estabelecido por Trump se aproxima, a tensão cresce na região. Israel já deu sinais de que está disposto a agir com força total caso os reféns não sejam devolvidos. O Hamas, por outro lado, continua jogando com o tempo, apostando que pode arrancar mais concessões antes de cumprir sua parte no acordo.
Com o apoio de Trump, Israel se sente fortalecido para agir de forma decisiva. Se o Hamas insistir em desafiar o ultimato, a resposta pode ser devastadora. Como Trump prometeu, o inferno pode, de fato, se soltar em Gaza.