COLUNA

Tragédia em Uganda: Família Pastoral é Queimada Viva por Levar o Evangelho a Jovens Muçulmanos

Família Pastoral é Queimada Viva por Levar o Evangelho - Imagem: Reprodução | Redes Sociais

Agenor Duque Publicado em 30/10/2024, às 08h06

Em países de regimes totalitários ou extremistas, onde o direito à liberdade religiosa ainda é negado a milhões de pessoas e onde infelizmente, os cristãos representam o maior grupo de fiéis perseguidos, professar a fé cristã, significa arriscar a própria vida. Essa realidade existe nos quatro cantos do planeta, mesmo em países onde a lei permite a liberdade religiosa, mas é desrespeitada, fica ainda mais evidente que o cristianismo é visto como uma ameaça cultural e religiosa, resultando em agressões, tortura e até execuções.

Um dos casos mais trágicos ocorreu recentemente em Uganda, no dia 13 de outubro. Uma pequena comunidade cristã local foi abalada pela morte de uma família pastoral de forma brutal. O pastor Weere Mukisa de 30 anos e sua esposa Annet Namugaya de 25, conhecidos por sua dedicação ao trabalho missionário e ao ensino do Evangelho, foram mortos em sua própria casa juntamente com suas filhas de 7 e 4 anos. Extremistas muçulmanos, enfurecidos com a conversão de jovens muçulmanos ao cristianismo, selaram as portas da residência da família e atearam fogo no local, usando garrafas de gasolina para intensificar o incêndio. Dentro da casa, o pastor, sua esposa e as filhas pequenas perderam a vida em um cenário desolador, que evidencia ainda mais a perseguição que insiste em calar a voz daqueles que anunciam as boas novas do Evangelho. Mas esse não foi um episódio isolado. Em 2020, outro pastor e um membro de sua igreja também foram torturados e afogados em Uganda, mostrando que a hostilidade contra cristãos não dá sinais de acabar, apesar das leis do país supostamente “protegerem” a liberdade de religião e de conversão.

A tragédia dessa família pastoral revela a realidade enfrentada por milhares de cristãos não só em Uganda, mas em muitas partes do mundo. Crianças, jovens e adultos que se convertem, em especial ao cristianismo, tornam-se alvos de ameaças e agressões. E a coragem desses novos convertidos em professar sua fé inspira outros, mas também os coloca na linha de frente de uma batalha espiritual e cultural travada com consequências brutais e irreparáveis para suas vidas.

Esse ódio aos cristãos tem bases enraizadas e é sistematicamente fomentado em países com governos ou sociedades dominadas por tradições religiosas rígidas. Organizações como a Missão Portas Abertas (MPA) monitoram de perto as condições nesses locais. Em 2024, a lista de países com os maiores índices de perseguição destaca nações como Coreia do Norte, Somália, Líbia, Eritreia e Iêmen nos primeiros lugares. Nesses países, a conversão ao cristianismo pode significar isolamento, tortura e até a morte. Outros países com elevado índice de perseguição incluem Nigéria, Paquistão, Sudão, Irã, Afeganistão e Índia, onde cristãos enfrentam as mesmas ameaças diárias. Além disso, grupos extremistas como Boko Haram na Nigéria, Estado Islâmico no Iraque e na Síria, Talibã no Afeganistão, Al-Shabaab na Somália e outros grupos no Oriente Médio, alimentam e disseminam o ódio religioso, fazendo com que regiões inteiras se tornem verdadeiras zonas de guerra para cristãos e missionários.

Já na América Latina, a Nicarágua é um triste exemplo dessa situação. Sob o governo do ditador Daniel Ortega, a hostilidade contra líderes religiosos e comunidades cristãs (tanto católicas como evangélicas) com prisões, expulsões e ações que intimidam aqueles que se opõem ao governo ou que defendem abertamente o cristianismo. A situação se agrava a cada ano, e os dados indicam que o país está em ascensão entre os piores da América em liberdade religiosa, pois passou da posição de número 50 para a posição 30 no “ranking”, em somente 1 ano.

Diversas missões atuam em áreas de intenso risco para propagar o Evangelho de Cristo. A Missão Portas Abertas (MPA) é uma das organizações mais ativas e resilientes nesse campo, proporcionando suporte material e espiritual a cristãos em regiões de perseguição. A Junta de Missões Mundiais (JMM) também desenvolve projetos vitais para que missionários e voluntários possam alcançar comunidades carentes e discriminadas, semeando a Palavra de Deus em locais onde ela é fortemente reprimida. Essas iniciativas são essenciais na chamada "janela 10/40", uma faixa geográfica que abrange países da África, Oriente Médio e Ásia, onde a presença cristã é ínfima e a hostilidade, altíssima. São nestes países que os riscos de tortura, morte e perseguição se intensificam para pastores, missionários, obreiros e fiéis que enfrentam diariamente ameaças e violência, e muitos pagam o preço de sua fé com a vida em nações de maioria muçulmana, hinduísta, budista ou comunista, onde o cristianismo ainda é considerado uma afronta que deve ser eliminada. Nossa oração, apoio financeiro e divulgação da situação da igreja perseguida são formas de fortalecer aqueles que, na linha de frente, enfrentam de tudo para levar a luz do Evangelho para todas as nações.

pastor muçulmanos Uganda evangelho

Leia também