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Proíbem a Bíblia na escola, mas distribuem nas cadeias: querem formar cidadãos ou prisioneiros?

Negar o acesso à Bíblia nas escolas é ignorar sua importância como patrimônio cultural e fonte de valores éticos e humanos. - Imagem: Reprodução | Freepik

Agenor Duque Publicado em 14/04/2025, às 08h15

A aprovação do uso da Bíblia como livro paradidático nas escolas de Belo Horizonte reacendeu um debate crucial sobre educação, fé e hipocrisia institucional. Em nome de uma suposta defesa do Estado laico, vozes progressistas se insurgem contra a proposta. Mas a pergunta que não quer calar é: por que a Bíblia é aceita nos presídios, mas rejeitada nas escolas?

O Brasil, país majoritariamente cristão, carrega em sua Constituição a expressão “sob a proteção de Deus”. E no entanto, há quem trate qualquer referência à fé como ameaça à democracia. O uso da Bíblia em sala de aula, de forma paradidática e não doutrinária, é uma chance de formar caráter antes de punir condutas. Afinal, se ela transforma vidas no cárcere, por que não pode formar consciências livres nas carteiras escolares?

Estudos mostram que programas de ressocialização com base na leitura bíblica, como o “Remição pela Leitura”, têm reduzido a reincidência criminal. O impacto é real. A Bíblia tem sido chave para recomeços em presídios superlotados. É instrumento de restauração, ética e esperança. Mas para certos setores, só serve depois do caos — nunca como prevenção.

A lógica é perversa: negam a Bíblia à criança em formação, mas a oferecem ao homem que a sociedade já condenou. Educar pela palavra antes de punir com o peso da lei parece ofensivo a quem vê na religião apenas uma ameaça eleitoral. Transformaram o debate em palanque ideológico e ignoraram os frutos concretos da fé.

A Bíblia é um dos livros mais lidos, traduzidos e estudados da história. É literatura, é patrimônio cultural, é raiz ética. Negar seu acesso nas escolas é desprezar a formação integral do ser humano. A escola deve ensinar ciência, sim, mas também valores. Deve abrir janelas para o conhecimento, inclusive o espiritual.

Enquanto se cala sobre ideologias que invadem as salas com narrativas distorcidas de identidade e valores, levantam-se gritos contra o livro que ensina a amar ao próximo, perdoar, honrar pai e mãe, ser justo, ser íntegro.

Em Minas Gerais, onde o projeto foi aprovado, a Bíblia já integra ações sociais que contribuem com a formação cidadã. Grupos de leitura em comunidades mostram que o contato com as Escrituras estimula reflexão crítica e reforça valores como empatia, perdão e responsabilidade.

O projeto não obriga alunos a seguir uma fé, tampouco interfere na liberdade religiosa — apenas apresenta um livro que moldou civilizações e segue sendo referência em ética e direitos humanos. O medo que alguns têm reflete um preconceito ideológico que tenta apagar nossas raízes cristãs.

A Bíblia é um livro sagrado, sim. Mas também é documento histórico, literário e filosófico. De Shakespeare a Martin Luther King, sua influência é incontestável. Negar esse conteúdo aos jovens, em nome de uma laicidade mal interpretada, é negar acesso a uma das maiores fontes de sabedoria da humanidade.

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