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Perseguição Religiosa ou Defesa da Democracia? O Caso Silas Malafaia Incendeia a Política Brasileira

Malafaia responde ao STF e convoca a população para protestos, destacando a importância da liberdade de expressão garantida pela Constituição. - Imagem: Reprodução/YouTube/Silas Malafaia

Agenor Duque Publicado em 19/08/2025, às 07h04

A inclusão do pastor Silas Malafaia em um inquérito do Supremo Tribunal Federal provocou uma onda de indignação sem precedentes no meio político e religioso. As acusações de “obstrução de justiça” e “coação” se transformaram em combustível para um embate que extrapola o campo jurídico e invade a arena da liberdade de expressão e da fé.

Direto dos Estados Unidos, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) foi um dos primeiros a reagir. Em sua fala, destacou que a repercussão da investigação contra Malafaia ultrapassa fronteiras. “Nos EUA, um líder religioso do porte de Silas Malafaia, reconhecido internacionalmente, representa mais que um pastor: é símbolo de liberdade e resistência. Se até alguém dessa estatura sofre perseguição, imagine o cidadão comum, a ‘tia do Zap’, sem estrutura ou conexões”, afirmou, alertando para o risco da censura se consolidar no Brasil.

Enquanto isso, o próprio Malafaia gravou uma dura resposta ao ministro Alexandre de Moraes, a quem chama de “ditador”. O pastor denunciou que está sendo alvo de uma tentativa de silenciamento por suas opiniões. “Ele escolheu o cara errado. Não tenho medo de ser preso. Vou continuar denunciando seus crimes”, disparou.

Malafaia lembrou que a Constituição garante a liberdade de expressão e veta a censura, acusando Moraes de instaurar um “crime de opinião” no Brasil. Em tom profético, conclamou a mobilização popular para o dia 7 de setembro, em atos por todo o país e especialmente na Avenida Paulista. “Não vamos nos calar. O que está em jogo é perigoso e violento demais”, disse, convocando a igreja evangélica a levantar um clamor pela nação.

A polêmica ganhou ainda mais força com a divulgação de uma carta aberta do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (CIMEB), assinada por dezenas de pastores de expressão nacional, como César Augusto, Abner Ferreira, Robson Rodovalho, Samuel Câmara, Agenor Duque, Cláudio Duarte, René Terra Nova, entre outros. O documento repudia “a inclusão imprópria e injusta” de Malafaia no inquérito e denuncia que o país “caminha para algo perigoso e inaceitável”. Para os líderes, a medida do STF representa não apenas uma afronta política, mas também religiosa. “A liberdade de expressão e a liberdade religiosa são inegociáveis no Estado Democrático de Direito, como garante a Constituição”, afirma a nota pública.

Parlamentares do Partido Liberal (PL) engrossaram a defesa de Malafaia. Além de Eduardo Bolsonaro, os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG), Marco Feliciano (PL-SP) e Gustavo Gayer (PL-GO) também se manifestaram publicamente contra o que classificam como “perseguição religiosa e censura”. Para eles, o caso é um divisor de águas: ou o Brasil reafirma a liberdade garantida pela Constituição, ou caminha para um regime de exceção.

O episódio coloca o Brasil no centro de uma encruzilhada delicada: de um lado, a corte máxima do país sustentando investigações que classificam manifestações políticas como ameaças ao Estado Democrático; de outro, lideranças evangélicas, parlamentares e vozes internacionais denunciando um avanço da censura e da perseguição religiosa.

A disputa ultrapassa as fronteiras nacionais. Malafaia citou até a carta do ex-presidente Donald Trump, que critica Alexandre de Moraes por impor ordens ilegais de censura a plataformas digitais nos EUA. O recado, segundo ele, é claro: “mexer com liderança religiosa por razões políticas é algo que americanos jamais aceitam”.
 
Um divisor de águas

A crise não se restringe ao nome de Malafaia, mas aponta para uma guerra de narrativas: seria o STF um guardião da democracia ou uma corte que se converteu em tribunal de exceção? Essa é a pergunta que ecoa tanto nos púlpitos das igrejas quanto nos bastidores da política.

Com o apoio de parlamentares do PL, a resistência pública de Malafaia e a adesão de dezenas de líderes evangélicos, o episódio pode se tornar um divisor de águas na relação entre religião, política e Judiciário no Brasil.

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