Agenor Duque Publicado em 06/11/2024, às 08h09
A cerimônia no Palácio do Planalto em 15/10, celebrando o Dia Nacional da Música Gospel, foi marcada por discursos repletos de demagogia e de “máscaras” que caíram frente ao público. Uma delas foi a do deputado e pastor Otoni de Paula (MDB-RJ), que mostrou sua verdadeira face, deixando claro que se afastou das pautas conservadoras. Otoni exaltou Lula, afirmando que o ex- -presidiário foi “usado por Deus para manter a liberdade religiosa no Brasil”. É chocante ver um pastor, que antes apoiava Jair Bolsonaro, exaltando um político com um histórico grave de corrupção e que defende tudo o que é contrário aos princípios judaico-cristãos. Essa mudança de postura abalou a confiança dos evangélicos, que querem ser representados por parlamentares comprometidos com as pautas conservadoras e com convicções cristãs, e não com conveniências políticas e ideologias progressistas.
Em seu momento de exaltação a Lula, o deputado esqueceu que seu eleitorado cristão conhece bem o histórico do ex-presidiário e do PT, um partido que desafia a fé e os valores morais. E, ao descrever o velho comunista como um defensor da liberdade religiosa, Otoni desconsiderou que o artigo 5º da Constituição já protege esse direito como cláusula pétrea, independentemente do líder que governe. Portanto, Lula não “preservou” a liberdade religiosa; ele apenas a explorou para conquistar um novo eleitorado, de olho em 2026. Ao sancionar uma lei comemorativa para os evangélicos, o atual (des)governo tenta dissimular sua agenda ideológica que, até agora, nunca se aliou verdadeiramente aos interesses cristãos.
Vários líderes evangélicos reagiram ao discurso de Otoni. O Pastor Silas Malafaia, por exemplo, condenou as falas, afirmando que ele “se corrompeu ao aliar-se a um governo que fere os valores cristãos”. Nikolas Ferreira, deputado conhecido por defender a família e os princípios bíblicos, destacou a hipocrisia do parlamentar, ressaltando que o apoio a Lula visa capitalizar o apoio evangélico. Sóstenes Cavalcante complementou que o único apoio verdadeiro à liberdade religiosa veio do Congresso, em 2003, quando figuras como Magno Malta e Marcelo Crivella asseguraram a proteção religiosa sem interferência governamental. Colocar Lula no centro dessa defesa é uma distorção dos fatos, e qualquer tentativa de atribuir a ele essa conquista ignora o real esforço daqueles que sempre foram comprometidos com a causa.
Em outra polêmica recente, Otoni de Paula criticou as igrejas que apoiam Israel em seu conflito com grupos terroristas, sugerindo que a defesa do país não deveria fazer parte das práticas religiosas. E, ao ignorar o direito de Israel de se defender do Hamas e do Hezbollah, colocando em pé de igualdade os ataques feitos pelos terroristas aos civis israelenses e a legítima defesa do país após o massacre de 7 de outubro de 2023, o parlamentar comete uma grande injustiça. A postura de Otoni, mais próxima do antissemitismo do que do cristianismo, reflete uma inversão de valores que Lula e o PT tentam normalizar.
Otoni de Paula também inverteu suas alianças políticas no Rio de Janeiro, apoiando Eduardo Paes em vez de apoiar o candidato de Bolsonaro e de direita, Alexandre Ramagem. No evento no Planalto, o deputado aproveitou para bajular Lula, afirmando que, apesar de a maioria dos evangélicos não ter votado no petista, são contemplados pelos programas sociais de seu governo. Esse discurso evidencia ainda mais a dificuldade do governo petista de se aproximar da comunidade evangélica de forma orgânica e, ao mesmo tempo, revela a disposição de Otoni de Paula em se tornar um intermediário útil para essa causa.
Com esse posicionamento, Otoni de Paula afasta o seu eleitorado e compromete sua imagem como cristão e como pastor. Quando Lula e a esquerda o abandonarem, ele enfrentará o desprezo daqueles que ele traiu. Os eleitores cristãos, atentos a essa deslealdade de Otoni, com certeza irão ignorá-lo nas urnas e garantir que seu nome seja esquecido na política.