Agenor Duque Publicado em 06/01/2025, às 08h08
Bill Gates, fundador da Microsoft, filantropo e uma das pessoas mais ricas do mundo, surpreendeu ao ser revelado como o maior proprietário de terras agrícolas dos Estados Unidos no início deste ano. Durante uma recente sessão de perguntas e respostas na rede social Reddit, Gates quebrou o silêncio e explicou o que motivou essa estratégia de investimentos tão comentada.
A pergunta direta de um internauta — “Por que você está comprando terras agrícolas?” — rendeu uma resposta reveladora. Segundo Gates, a decisão está relacionada ao potencial da ciência de sementes e ao desenvolvimento de biocombustíveis. “Meu grupo de investimento escolheu fazer isso. Não está conectado ao clima”, esclareceu. “O setor agrícola é importante. Com sementes mais produtivas, podemos evitar o desmatamento e ajudar a África a lidar com as dificuldades climáticas que já enfrentam. Não está claro o quão baratos os biocombustíveis podem ser, mas, se forem baratos, podem resolver grandes problemas relacionados às emissões de carbono, por exemplo.”
Essas declarações oferecem uma nova perspectiva sobre as atividades de Gates no setor rural, cuja extensão tem impressionado analistas e curiosos. Segundo o The Land Report, Bill Gates construiu um portfólio considerável de terras em 18 estados dos EUA, acumulando um total de 242 mil acres, o equivalente a quase 98 mil hectares. As maiores propriedades estão concentradas nos estados de Louisiana, Arkansas e Nebraska. Além disso, ele possui uma área significativa de 112 mil metros quadrados no lado oeste de Phoenix, Arizona. Essas terras são administradas diretamente e por meio da empresa Cascade Investments, veículo de investimento pessoal do bilionário.
Apesar de ser o maior proprietário de terras agrícolas, Gates não detém o título de maior proprietário individual de terras dos EUA. Esse posto pertence a John Malone, presidente da Liberty Media, seguido de perto por Ted Turner, fundador da CNN. Curiosamente, Jeff Bezos, fundador da Amazon, ocupa o 25º lugar na lista, demonstrando que a posse de grandes extensões de terra também tem atraído outros gigantes da tecnologia.
A ligação de Gates com o setor agrícola, no entanto, não é recente. Em 2008, a Fundação Bill e Melinda Gates destinou 306 milhões de dólares para incentivar uma agricultura sustentável de alto rendimento, focada em pequenos agricultores da África Subsaariana e do Sul da Ásia. Desde então, a fundação tem intensificado seus esforços, promovendo o desenvolvimento de “supersafras” resistentes às mudanças climáticas e investindo em vacas leiteiras geneticamente aprimoradas para produzir mais leite. Em 2020, a criação da organização Gates Ag One reforçou esse compromisso.
Embora algumas críticas apontem que essas aquisições de terras podem concentrar ainda mais poder nas mãos de poucos, Gates argumenta que o objetivo final é contribuir com soluções para problemas globais urgentes, como a escassez de alimentos e as mudanças climáticas. No entanto, ele deixa claro que, no momento, o foco não está diretamente na questão climática, mas sim na eficiência produtiva e na sustentabilidade da agricultura.
O Brasil também tem sido alvo do olhar visionário de milionários. O investidor nas terras verde-amarelas é o bilionário Elon Musk. O CEO da Tesla e SpaceX foi estratégico na compra de um terreno nas Minas Gerais, visando à mineração, já que a região é abundante em lítio, componente essencial na produção de baterias de íons de lítio, utilizadas em eletrônicos, carros elétricos e sistemas para armazenamento de energia.
Voltando à terra do Tio Sam, a presença de Gates no setor agrícola levanta discussões importantes sobre o futuro das terras cultiváveis e o papel da tecnologia na produção de alimentos. Com sua fortuna estimada em 121 bilhões de dólares, ele tem não apenas o capital, mas também a influência necessária para moldar tendências globais nesse campo. Se a visão de Gates se concretizar, suas iniciativas podem trazer avanços significativos, especialmente para regiões que enfrentam dificuldades extremas devido às mudanças climáticas.
O que antes parecia ser uma estratégia incomum para um magnata da tecnologia agora se revela como uma tentativa de unir inovação, ciência e investimento social. Resta saber se essa combinação resultará, de fato, em um impacto positivo de longo prazo para o setor agrícola global.