Siga nossa Redes

Esportes

Eleição para presidência do Santos FC acontece no próximo dia 12

Redação SP

Publicado

em

Eleição para presidência do Santos FC acontece no próximo dia 12

6 chapas vão concorrer, obtendo o maior número de candidatos da história do Clube.

por Andressa Zafalon

 

A eleição do Santos FC acontece no próximo dia 12 de dezembro e vai definir quem comandará o Clube do início de 2021 até o fim de 2023. 

No total, 6  chapas estão concorrendo, o que abre um leque de opções bastante diversificadas para o sócio-torcedor santista.

Neste ano, pela primeira vez, foi aprovado o voto virtual e, além dessa modalidade, os sócios-torcedores também poderão votar presencialmente na Vila Belmiro, em Santos; ou na sede da Federação Paulista de Futebol (FPP), em São Paulo.

O Diário de SP conversou com cada candidato e ouviu as propostas deles para o time da baixada santista. Acompanhe:

Chapa 1 – “O Santos pode mais”

Eleição para presidência do Santos FC acontece no próximo dia 12

Presidente: Fernando Silva

Vice: Reinaldo Guerreiro

Diário de SP: Quais seus planos para as categorias de base?

Fernando Silva:  A base hoje tem problemas em todos os seus pilares fundamentais: Captação, formação e transição. Saber fazer esse diagnóstico, enxergar o que se esconde de vícios nesse mundo a parte que é a base já é um desafio para poucos. O clube está parado no tempo, precisamos reativar a captação de novos atletas fortemente. 

Assim como no Profissional, criar um setor de inteligência que integre o lado de dentro do clube, as nossas necessidades, com o mundo do lado de fora. Intensificar o trabalho dos observadores externos com abrangência nacional, com o apoio e coordenação analistas internos. Todas as movimentações são fontes de captação: competições oficiais, torneios amadores, avaliações próprias, parcerias com projetos, prefeituras, além das próprias franquias “Meninos da Vila”, para as quais pretendemos torná-las parceiras captadoras mais ativas e eficientes, além da criação de núcleos estratégicos pelo país, para acelerar e facilitar processos.

Diário de SP: Como ampliar o número de sócios-torcedores?

Fernando SIlva: Uma das características que diferencia o Santos da maioria dos outros grandes Clubes é não ter um Clube Social. Entretanto, o Clube, enquanto Instituição, já tem vários “Relacionamentos Sociais” e não somente pode como deve ter muitos mais. Um exemplo de Relacionamento que já existe é a Secretaria Social que atende basicamente o Sócio Rei.

Mas e as próximas categorias de Sócios que vamos criar? O Sócio à Distância e o Sócio Digital? Está claro para nós que, com uma torcida nacional, o Santos não pode restringir nossos Planos de Sócio a planos focados essencialmente em programas de desconto em ingressos. Isso não faz muito sentido para atrair um Sócio fora do Estado de São Paulo, daí já estarmos pensando em quais ofertas e valores podemos entregar para um sócio à distância. Outra iniciativa importante no nosso Plano de Gestão, é fazer do Santos um Clube cada vez mais sintonizado com a era Digital. Lá em 2010, durante a nossa Gestão, o Santos iniciou um Projeto Inovador chamado Santos TV. O seu sucesso diz algo muito interessante para nós: o Clube não é mais apenas um Clube de Futebol, ele é também um Produtor de Conteúdo. E o que fazem os Produtores de Conteúdo? Eles criam audiências cativas para seus conteúdos e monetizam sues veículos. Nós vamos fazer isso com o Sócio Digital. 

Há outro “Relacionamento” que também já existe e o Clube não pode se eximir de estabelecer suas regras de convivência. Trata-se das torcidas organizadas. Esse é um tema que muitos jogam pra debaixo do tapete por receio de se “envolverem” com situações que podem contribuir negativamente para a imagem do Clube. Agora, nós temos que ignorar e passar ao largo do tema? Eu acho que não. Nós temos que dizer claramente o que apoiamos e o que não apoiamos. Temos que dizer o que o Clube pode oferecer e o que o Clube não irá oferecer. Temos que ter regras claras de convivência com “premiações” por bons comportamentos e “castigos” por maus comportamentos. Não será fácil, mas quem se coloca como protagonista não pode lidar com esse tema com “distanciamento social”. 

Outro “Relacionamento” que temos de cuidar com muito carinho são as nossas Embaixadas. As atuais e as futuras. Já temos um plano bem estruturado que promete trazer grandes frutos. 

Diário de SP: Como pagar a divida na FIFA?

Fernando Silva: Existem 4 pilares para no processo de recuperação financeira do Santos: 1) equilibrar as contas, 2) reestruturar as dívidas, 3) ser eficiente no gasto e 4) crescer receitas.

A primeira ação a tomar é entender os custos e despesas e ajustá-los de forma a torná-los compatíveis com as receitas recorrentes. Não é possível gerir o clube contando sempre que venderemos atletas que ajudem a pagar as despesas correntes. É por isso que vemos todos os anos atrasos de salários. Mas gastar apenas o que se arrecada é insuficiente, pois as dívidas são enormes e estão nos sufocando. Precisamos gastar menos e de forma eficiente, para que sobre dinheiro. 

Sobre as dívidas, teremos que promover uma reestruturação completa do passivo, alongando seu perfil e propondo fluxos de pagamento compatíveis com a realidade do clube. Teremos que buscar auxílio em empresas especializadas em reestruturação de dívidas, que nos auxiliem na construção desse processo. E não podemos ter ilusões: neste momento a venda de atletas precisa compor parte importante dos recursos que pagarão as dívidas. Tudo isso e ainda precisaremos nos adequar às regras do Fair Play Financeiro, o que nos coloca ainda mais pressionados a seguir um roteiro de austeridade.

Diário de SP: O que pensa sobre a NOVA ARENA na Vila Belmiro?

Fernando Silva: Nós acreditamos que o Santos Pode Mais e, por isso, somos a favor! Sabemos que o Santos Pode Mais não somente nos três anos que virão, mas também nos próximos 100! Com a mesma força que tem competido nos últimos 108 anos e ainda mais!

Para isso, é fundamental posicionar o clube de forma competitiva e profissional, especialmente no atual cenário do futebol mundial. E entendemos que o assunto estádio é estratégico a longo prazo.

Para estarmos bem posicionados neste tema, devemos levar em conta três pontos fundamentais: Aspecto Esportivo, Resultado Financeiro e Relacionamento com o Torcedor.

A nossa Vila Belmiro é centenária, nosso templo, nossa casa, mas infelizmente do jeito que está, ela não pode mais ficar. Temos um estádio que não atende à demanda dos grandes jogos e que falha no oferecimento de conforto quando comparamos com as novas arenas. A soma desses fatores dificulta o aumento da média de público e o incremento da receita de bilheteria.

Um estádio moderno e confortável, com capacidade de público significativamente maior do que a atual capacidade da Vila, tem potencial para ampliar a presença feminina e das famílias nos jogos, possibilitando ao Santos acessar um potencial maior de receitas, que serão fundamentais para nos manter competitivos nas próximas décadas.

Nesse momento, o que propomos é um Santos protagonista, para não só fazer o projeto que cabe no terreno atual, mas analisar as possibilidades e, principalmente, as necessidades do clube para que essa competitividade possa prevalecer.

Diário de SP: Quais os planos para o Marketing?

Fernando Silva: Nossa equipe de marketing já está trabalhando há algum tempo em estudos sobre o Santos. Estamos totalmente confiantes na vitória do nosso grupo no dia 12, mas, caso isso não venha a acontecer, entregaremos ao clube uma análise muito bem produzida do que o Santos precisa fazer para alavancar sua imagem novamente.  

O que podemos dizer agora é que nosso plano de marketing e negócios está focado em três pontos: 

Digital e conteúdo – Criação da Vila do Silício

Vamos digitalizar todos os processos internos possíveis, eliminando gargalos e deixando um verdadeiro legado de tecnologia para as gestões que ainda virão. Isso trará melhoras nas experiencias de jogo para o torcedor aliada à performance do time. 

Torcedor/Sócio

Lançaremos um programa de sócios robusto, com camada digital atraente e que contemple os sócios que estão longe fisicamente do Santos. É fundamental ouvirmos estes torcedores e analisar todos os dados para uma mudança drástica nesse relacionamento. Isso vai aproximar o torcedor e impulsionar receitas. Vamos transformar nossa cultura de relacionamento com nossos clientes em todos os níveis. 

Marca e negócios

Precisamos agir como uma organização esportiva e também de entretenimento. Criaremos um novo ambiente de negócios para o clube e um novo relacionamento com as marcas. Gerar conteúdo, desenvolver propriedades intelectuais e novos negócios dentro e fora do Brasil, indo além do futebol, nos trará grandes retornos de receita. 

Diário de SP: Como lidar com a queda de arrecadação no futebol por causa da pandemia?

Fernando SIlva: Um dos exemplos que citei na última resposta é a criação de conteúdo. A Santos TV é parte fundamental desse projeto de captação de recursos, principalmente com a torcida fisicamente longe do clube. 

Também já conversamos com algumas empresas que demonstraram interesse em se aproximar do clube em caso de vitória da nossa gestão. São pessoas que conhecem a seriedade e a qualidade de nosso trabalho. A equipe da Chapa 1 trará de volta a credibilidade que o Santos perdeu nas últimas três gestões com Odílio, Modesto e Peres. 

Chapa 2 – “Tradição e Inovação”

Eleição para presidência do Santos FC acontece no próximo dia 12

Presidente: Milton Teixeira Filho

Vice: José Macedo Reis

Diário de SP: Quais seus planos para as categorias de base?

Milton Teixeira Filho: A Base é a menina dos olhos de ouro no Santos. Vamos investir em um centro de excelência das categorias de base à altura das tradições do clube que será interligada ao futebol profissional. 

A infraestrutura terá campos adequados, alojamento, departamento de análise e dados, fisioterapia, nutrição, assistência social e psicológica, exames periódicos, formação educacional e processos internos no clube. Implementaremos também uma metodologia contínua em todas as categorias e ministraremos cursos periódicos de aperfeiçoamento aos atletas, técnicos e funcionários do clube. Vamos manter o nível inteligente e cognitivo alto do atleta.

Teremos captação regional e clínicas itinerantes por todo o país. Na chácara Nicolau Moran teremos as manhãs esportivas. As coordenadorias terão protocolos a serem seguidos, com organograma e processos internos.

Teremos os ídolos eternos atuando na captação com a descoberta dos talentos. Eles servirão de exemplos a serem seguidos. Vamos valorizá-los nos eventos sociais, culturais e esportivos do Santos. Teremos também uma orientação e auxílio às famílias e aos atletas, para eles terem estrutura na carreira e na vida pessoal. A base dará retorno técnico e retorno financeiro ao Santos.

Diário de SP: Como ampliar o número de sócios-torcedores?

Milton Teixeira Filho:  Com a valorização do público consumidor, treinamentos aos funcionários do Santos para concederem atendimento de excelência aos associados e criação de categoria de sócio com taxa associativa a preço popular (após aprovação do Conselho Deliberativo). Além disso, estabelecer convênios e parcerias com supermercados, bares, lojas, farmácias, academias, restaurantes, escolas de idiomas, faculdades e outros segmentos do comércio varejista e de pretadores de serviços. O associado terá benefícios e vantagens acrescentados ao programa de sócios. 

Outra ação é a de sistematizar a logística para receber as caravanas nos dias de jogos. Utilizar as Embaixadas do Peixe como ferramenta para conquistar o torcedor no mercado interno. Criar conteúdos digitais exclusivos aos sócios. Realizar pesquisas e atender a demanda exigida pelo associado, com melhorias e aperfeiçoamento contínuo.

Diário de SP: Como pagar a dívida da FIFA?

Milton Teixeira Filho:  O Santos precisa ter uma reestruturação financeira para equilibrar a gestão. Para que isso aconteça, é necessário ajustar as despesas ordinárias às receitas recorrentes, isto é, gastar menos do que se arrecada. 

Além disso, precisa renegociar e alongar a dívida de curto prazo; realizar auditoria externa independente e dar publicidade sobre a real situação do clube.

Outro ponto importante, é reavaliar o quadro de funcionários com análise detalhada da função x salário x eficiência.

Estas sao algumas ações para sinalizar ao mercado que a gestão do Santos merece credibilidade.

Diário de SP: O que pensa sobre a NOVA ARENA na Vila Belmiro?

Milton Teixeira Filho: A Vila mais famosa do mundo precisa passar por uma adaptação tecnológica e ter umas das mais modernas instalações para atender com qualidade o torcedor santista. Para isso, daremos continuidade aos estudos de viabilidade técnica e financeira para o novo Alçapão.

Ampliar a capacidade de público, ter bares, restaurantes, museu interativo, espaços culturais e sociais, áreas exclusivas de hospitalidade e lojas temáticas são algumas novidades para o inédito estádio.

Com um time forte e competitivo e uma nova estrutura, o Santos terá mais receitas para desenvolver o futebol com excelência.

Chapa 3 – “Transforma, Santos”

Eleição para presidência do Santos FC acontece no próximo dia 12

Presidente: Ricardo Agostinho

Vice: Ronald Monteiro

Diário de SP: Quais seus planos para as categorias de base?

Ricardo Agostinho: O Santos é um clube com uma tradição muito especial nas categorias de base. Seus maiores ídolos foram formados no clube e precisamos retomar esta vocação de forma ordenada e planejada, com a presença de alguns deles, inclusive. Ou seja, é ótimo comemorarmos o surgimento dos nossos “raios”, mas não podemos ficar à mercê da “previsão do tempo”. Por isso, as categorias de base, tanto do masculino como do feminino, precisam ter grandes profissionais e serem geridas de uma forma técnica, sem política, nem apadrinhamentos.

Mas o futuro das categorias de base do Santos FC está em risco. Falta infraestrutura, os direitos econômicos dos nossos talentos são fartamente distribuídos entre empresários (nossa meta é estabelecer um limite de 20% para os novos contratos assinados a partir do início de nossa gestão) e o processo de formação hoje está bem aquém das possibilidades que o clube pode oferecer. 

Nosso plano passa pela construção de um novo CT, exclusivo e moderno, para o futebol profissional masculino. Para isso, monitoramos áreas na região metropolitana da Baixada Santista e contamos com a experiência de profissionais do nosso Grupo de Inteligência para atrair investidores. A partir disso, faremos um remanejamento: o CT Rei Pelé passará a abrigar exclusivamente as categorias de base; e o CT Meninos da Vila será destinado unicamente ao futebol feminino. 

Além disso, o clube deve valorizar a construção de uma cultura de trabalho e de uma melhoria permanente. Se trocar tudo a cada administração, perde-se junto o conhecimento que está com eles – sem falar dos custos das demissões, que sempre são altos.

Diário de SP: Como ampliar o número de sócios-torcedores?

Ricardo Agostinho: O Santos historicamente trata muito mal seus sócios. Preocupa-se apenas com a arrecadação e nem cuida disso direito. Como resultado, o torcedor acaba também tendo uma relação monetarista. Quando o time vai mal, ele para de pagar sua mensalidade. É inadmissível que o Santos FC, com uma torcida que figura entre as 10 maiores do país, igualmente fanática e com pacotes de associação disponíveis a partir de R$ 27, tenha um engajamento tão baixo (hoje, cerca de 22 mil sócios). 

Precisamos chamar o Sócio Rei para dentro do clube, fazê-lo sentir que todos fazemos parte da mesma comunidade. Permitir que isso ocorra é o principal caminho para retomar a confiança dos santistas e motivá-los a se associarem, ou, em muitos casos, a retornarem ao quadro associativo. Um plano consistente para reverter a inadimplência, planos de associação partindo de preços populares (com benefícios proporcionais) e ampliação do número de parceiros com abrangência nacional são ações que estão em nosso radar. 

Também defendemos a consulta periódica aos associados para auxiliar nas tomadas de decisão da gestão, desde escolha de modelos de terceiro uniforme até a construção de um calendário antecipado dos mandos de jogo, para que os torcedores possam se programar. 

Diário de SP: Como pagar a divida na FIFA?

Ricardo Agostinho: A gestão da dívida é prioritária. O Santos não pode correr o risco de mais punições e precisa voltar a ser visto como um clube confiável por seus atletas, funcionários, federações e parceiros de mercado não só no Brasil, como no mundo todo.

Entendemos que a base de qualquer renegociação passa pela credibilidade. Se o credor tiver segurança de que vai receber, de que a gestão é séria, ele vai querer fazer um acordo. E nós temos um Grupo de Inteligência da mais alta qualidade. E vamos ter o Álvaro Simões, uma pessoa muito respeitada no sistema bancário internacional. Ele será o nosso negociador.

Com este caminho consolidado, vamos trabalhar para oferecer a quem acredita em nós a segurança de uma gestão estável e profissional, com ações consistentes de marketing, uma equipe competitiva e distância do noticiário de escândalos. Com isso, poderemos formar, aproveitar e vender bem nossos atletas em momentos oportunos (e não emergenciais), aumentar o número de sócios e ampliar nossas vendas e patrocinadores.

Não podemos novamente deixar o clube à mercê do ciclo vicioso dos mecenas de ocasião, especialmente os que surgem em época de eleição. A solução é ter uma gestão responsável, racional e competente, que traga bons resultados sem estourar o caixa do clube.

Diário de SP: O que pensa sobre a NOVA ARENA na Vila Belmiro?

Ricardo Agostinho:  Em relação à Vila Belmiro, com as finanças deterioradas, não podemos prometer grandes reformas. Mas existem alguns cuidados mínimos, que não custam tanto, que podemos e faremos, quanto à segurança, limpeza, acessibilidade e infraestrutura. Nosso estádio precisa ser atrativo e confortável para todo perfil de torcedor, especialmente mulheres e crianças. 

Também sabemos que em pleno século XXI um estádio não pode apenas servir para jogos, deve contar com estacionamento, espaços para reuniões e eventos, restaurante, tour para torcedores e outras facilidades.  Dito isso, creio que nossas premissas para a tomada decisão em relação ao atual projeto do Retrofit da construtora W. Torre, atualmente em análise, são bastante claras. 

Em princípio, é algo que nos parece bastante viável, desde que todas as etapas sejam cumpridas adequadamente e que, uma vez consolidado, permita que a experiência do torcedor seja valorizada, mas também seja financeiramente viável. Este é o ponto de equilíbrio que procuramos. O aumento excessivo do ticket-médio e a elitização da torcida devem ser evitados. 

Diário de SP: Quais os planos para o Marketing?

Ricardo Agostinho: Além de minha formação como publicitário, como torcedor que sempre fui, estive ao lado do time em estádios pelo Brasil e pelo mundo e sempre me pareceu clara a urgência em reforçar a sensação de pertencimento do associado e dos santistas em geral em relação ao clube. Isso, consequentemente, fortalece a marca e é um fator importantíssimo para a obtenção de sucesso na busca de novos patrocinadores e parceiros.

O Santos é um dos clubes mais conhecidos no mundo. Todo mundo gosta da gente. Nós temos uma história como poucos clubes, que teve Pelé, Robinho, Neymar e muitos outros craques. Quando eu viajo, sempre me pedem para trocar a camisa do Santos. Demonstrar a força e o envolvimento crescente de nossa torcida é, portanto, algo urgente e só trará benefícios na valorização de nossa camisa, do nosso estádio e de nossos produtos.

A toda esta bagagem soma-se hoje o amplo estudo realizado pela chapa Transforma Santos há mais de dois anos para mapear e entender o atual cenário do Santos FC e o que realmente querem seus torcedores e associados. Hoje eles não são ouvidos, encontram um estádio com instalações pouco confortáveis e atrativas, além de ingressos e uniformes com valores elitistas, entre outros dissabores.

Acredito que, ao considerar todas essas informações, com o respaldo do Comitê de Gestão e do Grupo de Inteligência que serão criados, poderemos conduzir o Santos à tão necessária transformação pela qual ele precisa passar, inclusive para que o Marketing possa assumir o papel essencial que dele se espera na geração de receitas para o clube.

Diário de SP: Como lidar com a queda de arrecadação no futebol por causa da pandemia?

Ricardo Agostinho: Penso que um dos avanços fundamentais para sanar estes problemas a curto prazo é aumentar a receita gerada pelo quadro associativo, com um projeto arrojado para recuperar o hoje sucateado Sócio Rei. Nossos sócios historicamente sofrem com a sensação de não-pertencimento ao clube, o que se agravou no cenário de pandemia. A grande maioria contribui basicamente por seu amor ao Santos FC. É preciso também pensar no conteúdo que produzimos. A Santos TV chegou a ser uma das maiores e melhores do país. Hoje, sabemos, está sucateada.

Chapa 4 – “União pelo Santos”

Eleição para presidência do Santos FC acontece no próximo dia 12

Presidente: Andrés Rueda

Vice: José Carlos Oliveira

Diário de SP: Quais seus planos para as categorias de base?

Andrés Rueda: Como sempre falo, o Santos precisa de processos em todas as áreas e na base não é diferente. Precisamos ter claro o que se espera e quais os procedimentos. Um dos pontos urgentes é que tem de ter uma infraestrutura para poder atender os atletas. É vergonhoso, com tanta receita que nossa base gerou, não ter um espaço de Primeiro Mundo para seu desenvolvimento. Comportar a base como deve ser comportada. 

Na base não está claro como os atletas são captados. A gente perdeu os olheiros que tinha no Brasil inteiro, perdeu o vínculo com as escolinhas. A gente tem de corrigir isso. O Santos tem de ter de ter processos do começo ao fim, em cada etapa. Como capta jogador, como é feita a peneira, como a base tem de ser treinada, como o preparo físico que espera para cada categoria. 

Diário de SP: Como ampliar o número de sócios-torcedores?

Andrés Rueda: O primeiro passo e mais importante é ouvir o sócio. O Clube já foi até a torcida e seus sócios e perguntou: o que vocês querem? É primordial escutar, ter canal para ouvir seu sócio e sua torcida. Na nossa campanha, criamos um APP onde realizamos pesquisas e abrimos um canal direto com o torcedor para apresentar ideias. O Santos, até hoje, não tem um APP. Nossa ideia, é logo nos 100 primeiros dias fazer uma ampla pesquisa com o sócio para poder implementar melhorias no programa Sócio Rei.  

O sócio, o torcedor ou o simpatizante, precisa ser visto como cliente. Precisamos saber o que ele quer e valoriza. Com base nisso, partiremos para a produção dos mais variados produtos, sejam relacionados a jogos, ingressos, material esportivo, experiências, etc. 

Hoje o mecanismo funciona ao contrário. Oferecemos o mínimo possível e só sobrevivemos porque o consumidor de futebol é o mais fiel entre todas as indústrias pesquisadas. Ele não muda de produto! E isso não é bom, pois fez a indústria toda se acomodar. Ficamos muito para trás no Brasil. Temos uma visão muito clara de onde queremos levar o Clube. Nossa missão a médio e longo prazo é levar o Santos para que seja novamente um dos principais players do futebol na indústria do entretenimento.

Diário de SP: Como pagar a dívida da FIFA?

Andrés Rueda: A primeira ação é sentar com os credores e dizer que não tenho condições de pagar. Vamos renegociar prazos e juros e fazer o que fizemos com o Hamburgo. Lembra que a dívida original era 4 milhões e 700 mil euros e, no final, a gente conseguiu negociar e pagar 3 milhões e 100 mil euros? Um milhão e 600 mil euros de desconto na dívida, mostrando que em credibilidade, acordo feito é acordo honrado. Você indo nessa linha, consegue atenuar essa pressão que existe do valor sobre o Santos. Agora, uma coisa que tem de ser vista urgente – que é vergonhoso – é que todos os contratos do Santos têm de ser revistos o quanto antes. Porque o que acontece em matéria de multas e juros é um negócio incalculável. O Santos tinha uma dívida de 5 milhões de euros para a Doyen para ser paga em setembro  e, teoricamente a gente tinha dinheiro, tinha recebido do Rodrigo. Esse valor não foi pago e a dívida virou 15 milhões de euros. Poxa! Tem que responsabilizar seriamente o gestor que assinou contrato com essa multa e o gestor que tendo dinheiro em caixa, e não pagar essa multa, sabendo o que iria acarretar para o Clube. Então, é muita coisa que tem de ser feita para a gente voltar a ter uma situação mais confortável no lado financeiro.

Diário de SP: O que pensa sobre a NOVA ARENA na Vila Belmiro?

Andrés Rueda: O projeto da WTorre é fantástico. Muda o patamar do Clube quanto ao conforto da sua torcida. Muito interessante a empresa que está por trás, pois a WTorre tem experiência. O que foi apresentado agrada e é o que a gente gostaria de ter um dia. É muito aderente ao modelo que falamos da indústria do entretenimento, onde tem de ter espaços de convivência, parte alimentar bem resolvida, vaga para quase mil carros. Projeto arquitetônico é muito agradável de se ver. 

O único ponto que me preocupou é na parte comercial do negócio em si. Coloquei duas dúvidas para eles. A gente seria obrigado a jogar somente na Arena? O caso do Santos é peculiar. Tem torcidas em Santos e São Paulo. Tem de ter liberdade de escolha de jogar na arena ou não. Outro ponto na proposta inicial deles é que queriam cobrar de 10 a 15 reais por torcedor que frequente o estádio. Então, se a gente fizer uma conta, 25 mil torcedores com estádio lotado, teria um aluguel de cerca de 250 mil reais para o empreendimento. Isso me parece um certo desequilíbrio. Porque o Santos teria uma participação na receita líquida da WTorre. Nada mais justo que tenham participação na nossa receita, não o valor fixo. Se for assim, a gente já parte de um ingresso de no mínimo 20 reais, que seria 15 para eles, mais custo de seguro, Federação, e isso fugiria um pouco da política que a gente quer implementar de popularizar o acesso ao estádio para a nossa torcida. Agora, nada de impeditivo. Tem de sentar na mesa, o Santos com pessoas do lado de cá, defendendo os interesses do clube, e chegar um bom entendimento para todos. O projeto em si é muito aderente para o que imagina para o futuro do clube. Estou confiante de que esse projeto irá adiante. 

Diário de SP: Quais os planos para o Marketing?

Andrés Rueda: Um de nossos pilares estratégicos é o reposicionamento mercadológico. A marca é uma das vantagens competitivas que temos e está absolutamente subexplorada, além de ser sistematicamente arranhada. Temos como metas definir o posicionamento pretendido da marca e sustentar esse novo posicionamento com estratégia de marketing ancorada na nossa essência. Reestruturar o setor de marketing nas áreas de produto, branding, comercial e comunicação, com planos, metas e responsáveis específicos. Rever portfólio de produtos e estratégia de licenciamento. Migrar estrategicamente para o segmento de entretenimento, com geração ilimitada de conteúdos de diferentes tamanhos e formatos, apoiados por transformação digital. 

Em paralelo, o marketing tem uma função muito forte, que é atender o sócio e a torcida, sabendo o que eles querem. Tem de ir no seu cliente. O sócio, além de ser o dono do clube, é um cliente. Entender o que eles querem para abraçar o Santos, é fundamental. 

Em paralelo, abrir rapidamente fontes novas de receita. Uma delas onde o marketing está envolvido. Ter um e-commerce, onde tenha toda a sua linha de vestimenta e não só isso, todos os produtos licenciados, desde canetinha até uma geladeira com o símbolo do Santos. Onde você, de qualquer parte do mundo, possa entrar, escolher cor, tamanho tipo, fazer seu pedido, pagar pelo cartão, da maneira que for. Onde a gente fature, receba e entregue. Essa é uma fonte que, se muito bem explorada, é muito significativa. 

E outra fonte, que a gente espera monetizar e vai dentro do que espera para o clube, é conteúdo. O mundo está mudando, futebol está mudando. Está deixando de ser uma partida de 90 minutos. O público quer consumir conteúdo, saber o que acontece. Transmitir futebol de base, feminino, tudo que tenha direito. Vai de encontro ao que já falei, do que queremos fazer como missão final, a médio e longo prazo, que é colocar o Santos como um dos principais players da indústria do entretenimento ligado ao futebol.

Diário de SP: Como lidar com a queda de arrecadação no futebol por causa da pandemia?

Andrés Rueda: Uma das principais maneiras é por meio de uma loja virtual eficiente. Um lugar que venda e entregue rapidamente, em qualquer lugar do mundo, todos os produtos oficiais do clube. É uma vergonha, mas hoje isso ainda não acontece: temos pouca diversidade de produtos, muitas vezes não se tem opções de tamanho, não se faz entrega no Brasil, só se ouve reclamações dos nossos torcedores.  Além disso, precisamos monetizar mais a nossa presença digital. Tudo ficará mais claro quando o clube ouvir o que o torcedor quer. Por isso que faremos uma pesquisa ampla com nossos associados nos primeiros 100 dias de 2021. 

Chapa 5 – “Renova Santos”

Eleição para presidência do Santos FC acontece no próximo dia 12

Presidente: Rodrigo Marino

Vice: Ademir Quintino

Diário de SP: Quais seus palnos para as categorias de base?

Rodrigo Marino:  Nossa gestão tratará a base de uma maneira como nunca foi visto. Construiremos no primeiro semestre de 2021 uma estrutura de 1800 metros dedicados ao desenvolvimento e formação dos “Meninos da Vila”. Esta estrutura será completa e moderna. Teremos academia, fisioterapia, médicos, dentistas, psicólogos e até podólogos, tudo pensado para que os atletas da base tenham a melhor condição de desenvolvimento.

Promoveremos junto ao corpo técnico uma mudança de conceito: a prioridade da categoria de base será a formação e revelação de jogadores, o trabalho será medido pelo desenvolvimento dos atletas e não pelas vitórias, obviamente que as vitórias acontecerão de maneira natural.

Diário de SP:  Como ampliar o número de sócios-torcedores?

Rodrigo Marino: Trabalharemos com profissionais renomados e com cases de sucesso neste ponto, o programa de sócios será completamente reformulado e será muito mais atrativo. Teremos também uma parceria com o clube portuários de Santos, finalmente o associado do Santos Futebol Clube terá um clube social para frequentar. 

Diário de SP: Como pagar a dívida na FIFA?

Rodrigo Marino: Em primeiro lugar, é preciso organizar e equilibrar as contas do clube, o desafio é fazer o Santos gastar menos do que arrecada e estou preparado para fazer isso. Sou um profissional acostumado a cumprir orçamentos, faço isso nos últimos 20 anos em empresas multinacionais e de grande porte.

Para desbloquear o clube na FIFA, irei pessoalmente aos clubes que estamos devendo, me apresentarei como novo presidente e farei uma proposta de pagamento, ainda que parcelado, junto aos clubes credores. Entendo que nossos credores não querem brigar com o Santos, eles querem receber o que têm de direito. Entendo que seja totalmente viável este desbloqueio a curto prazo.

Diário de SP: O que pensa sobre a NOVA ARENA na Vila Belmiro?

Rodrigo Marino: Uma nova arena é uma realidade após a apresentação do projeto da W TORRE, que é um projeto maravilhoso e com uma viabilidade econômica verdadeira. Sou a favor e levarei adiante. Apóio tanto a ideia, que já procurei a Portuguesa de Desportos e fechei uma parceria para que o Santos mande seus jogos no Canindé no período de construção da nossa arena.

Diário de SP: Quais os planos para o Marketing?

Rodrigo Marino: Teremos um trabalho de Marketing totalmente descentralizado, com profissionais do mercado do futebol que tenham CASES de sucesso, não teremos somente o Marketing interno no clube, pois o Santos é muito grande para uma só pessoa pensar seu Marketing.

Vamos diminuir custos fixos de folha de pagamento, remunerando estes profissionais pelo SUCESSO de suas campanhas. Desta forma, o clube reduzirá um custo fixo de folha de pagamento e terá alavancada sua receita.

Diário de SP: Como lidar com a queda de arrecadação no futebol por causa da pandemia?

Rodrigo Marino: Precisamos trabalhar com a criatividade do Marketing no clube para suprir a perda da receita com bilheterias e alavancar outras fontes de receita. Vamos valorizar a marca Santos e fortalecer o relacionamento com o torcedor.

Chapa 6 – “Santos da Virada”

Eleição para presidência do Santos FC acontece no próximo dia 12

Presidente: Daniel Curi

Vice: Ariovaldo Feliciano

Diário de SP: Quais seus planos para as categorias de base?

Daniel Curi: Vamos voltar a essência do clube que fez revelar raios e meninos da Vila para o futebol mundial. E essa essência atende por dois nomes: Identidade e investimento. 

Impressionante como a Base foi desorganizada e destroçada. Vamos dar total atenção, trazer os ex-jogadores identificados com o Santos de volta a esse departamento. Será a política do Santos ter um ex-jogador, pelo menos, em cada categoria, integrando a Comissão Técnica e sendo referência no quesito identidade com o clube. Não dá pra mandar embora nomes como Clodoaldo, Abel, João Paulo, Juari, Nenê e entregar o descobrimento de talentos do Santos para gente que pode até ser bom tecnicamente, mas não tem identidade com o clube. São pessoas que virão, farão seu trabalho e irão embora sem compromisso com legado. 

Para isso vamos direcionar todos os principais investimentos do clube para a Base. É garantir o futuro para salvar o presente. A estrutura da base está frágil. Precisamos de um novo CT para ampliar a capacidade de treinos e times. Estamos desenvolvendo um projeto importante nesse sentido que vai ampliar a capacidade de produção de nossa usina de talentos que é a base do Santos FC. Um CT de fazer inveja a todos os adversários e que vai atrair todos os jovens talentosos do Brasil e do mundo que querem aprender o futebol mágico do Peixe. E os recursos para isso existem. Tenho o compromisso de que os recursos extraordinários que o clube conseguir com venda de atletas e cláusulas de solidariedade da FIFA, serão priorizados para investimento na base e sanamento das dívidas. 

Vamos também estreitar a relação com a família dos jogadores, criando um relacionamento sadio entre o clube, seus atletas e seus familiares. Pretendemos, inclusive, dar cursos para os pais e familiares de como devem se relacionar com o futuro de atleta dos seus filhos. Quanto os direitos econômicos, o Santos será sempre majoritário na divisão dos mesmos. Chega de ser vitrine para outros clubes ou empresários como no caso do Jean Lucas, que veio, jogou, foi pra França, e o Santos não ganhou nada, absolutamente nada. Chega de usarem a imagem do Santos.

Diário de SP: Como ampliar o número de sócios?

Daniel Curi: Temos que criar uma estrutura interna para gerenciar os programas de sócio. Desde que entrou CSU, Redegol e a atual, os serviços aos sócios caíram demais. Quero criar essa estrutura dentro do clube. 

E precisamos fazer um grande recadastramento, algo que não é feito desde 2005. Pretendo também criar a modalidade Santista de Todo o Mundo, para que torcedores de outras nacionalidades se associem, algo que hoje não é permitido. Vamos acertar nosso quadro social, pois é nosso maior patrimônio e merece cuidado, qualidade de atendimento e, principalmente, carinho e atenção de sua direção. 

Para aumentarmos é simples. Basta oferecermos serviços reais aos sócios. O Santos precisa sair da era analógica e entrar na era tecnológica. Essa atitude pode trazer mais receitas e proporcionar atendimentos mais eficientes aos sócios. E vamos voltar com o Sócio-Torcedor. Temos sócios que querem pagar um valor menor apenas para ter a carteira de sócio. Vamos atender essa demanda. Com um bom atendimento e atenção total ao sócio vamos ampliar as receitas deste ativo do clube.

Diário de SP: Como pagar a dívida da FIFA?

Daniel Curi: Especializei-me na área cível, com foco na administração de passivos empresariais, onde alcancei reconhecimento perante a própria classe e, com essa expertise, colaborei com centenas de empresas que precisaram sair do sufoco de dívidas diversas para continuar suas atividades. Portanto, tenho muita experiência em renegociação de dívidas. 

Apontar as prioridades em um cenário de crise financeira, saber o que deve ser pago em primeiro lugar, o que pode ser discutido e renegociado, por exemplo. Na atual situação do clube esse conhecimento pode ser um diferencial importante e vital para o Santos voltar a ser o Santos, e não um clube que deve por todo o mundo e não dá satisfação a ninguém, como é hoje. Toda dívida é administrável. Tenho atuado junto a diversas empresas e vejo isso. 

Por exemplo, repare o trabalho que fizemos na Santa Casa de Santos, sob comando do meu candidato a vice-presidente, o provedor Ariovaldo Feliciano, um dos principais contadores da região. Um trabalho de reconstrução que transformou a Santa Casa em referência de qualidade de gestão. O Ariovaldo tem me ajudado muito, é sócio do Santos há mais de 5 décadas e analisou os balanços do clube e me mostrou que é possível fazer mais com menos na Vila. Basta ter conhecimento, qualidade e competência. Além do Ariovaldo, temos outros grandes santistas envolvidos e conhecedores que irão colaborar para colocarmos o Santos nos eixos. 

Vamos procurar os clubes que acionaram a FIFA e buscar equacionar, da melhor forma, esses débitos. Vamos criar novos produtos e aumentar as receitas do clube.

Diário de SP: O que pensa sobre a NOVA ARENA na Vila Belmiro?

Daniel Curi: Só vermos a experiência do Corinthians e ver que Estádio tem que ser bem planejado e pensado, como é o Allianz Park. 

Sua pergunta é interessante. Fiz recentemente uma reunião com membros da Torcida Jovem preocupados com a elitização do espaço, o assunto está em debate no Conselho e vamos manter espaços para valorizar o torcedor de arquibancada raiz. O Santos merece uma arena como a da W Torre e, se todas as garantias e contrapartidas forem dadas ao clube, sou favorável. 

Gostei muito do projeto e da apresentação do Walter Torre no Conselho junto com o refeito Paulo Alexandre Barbosa. Vamos também fazer promoções e dar atenção de verdade ao marketing do jogo. 

Diário de SP: Quais os planos para o Marketing?

Daniel Curi: Vamos inovar para gerar novas receitas. O Santos tem uma marca inigualável e que nunca foi bem trabalhada. Os profissionais que vem ao marketing do Santos se preocupam muito mais em fazer seu marketing pessoal, do que promover o clube. Pretendemos triplicar os produtos licenciados e mudar a mentalidade do clube de analógica para digital. 

Como falei anteriormente, o consumidor hoje é real time. Se o time está bem, quer comprar produtos do clube imediatamente. O Santos hoje não está preparado para este consumidor e perde receitas por isso. Temos que entender que a razão de existir um clube é a sua torcida e é para eles que devemos proporcionar uma impactante experiência no futebol. 

A grande revolução no marketing do Santos FC será através da mudança de uma mentalidade analógica para uma tecnologia digital. Vamos buscar novas fontes de receitas que usam o digital como ativo principal. Pretendemos utilizar o streaming no futebol, como uma grande oportunidade de investimento, em especial, a geração de conteúdo exclusivo para seus consumidores e torcedores. 

Vamos monetizar essas novas fontes de receita. Queremos que o clube seja o protagonista e o agente principal de todo conteúdo relacionado ao clube para a produção, criação e distribuição audiovisual aos torcedores.

Entendemos que o comportamento do torcedor vem mudando e que o hábito de consumir mudou. Pensar no torcedor que vai para o estádio, frequenta a arquibancada de cimento e se acostume em somente torcer, hoje ficou no passado. Hoje, o torcedor quer mais benefícios, quer mais vantagens e comodidade. Vamos utilizar as plataformas oferecidas com o avanço da tecnologia, para atender à necessidade da segunda tela: uma para a televisão, a segunda para o celular (e os potenciais comentários em redes sociais). 

Vamos tratar o patrocínio como o grande desafio no marketing esportivo do clube. O patrocínio é muito importante. É uma forma de financiar a relação do investidor com o clube. Portanto, aliar valores e cultura ao investimento é fundamental. Na nossa gestão não reduziremos a relação de patrocínio somente em captação e pagamento mensal em troca da marca ganhar visibilidade. A missão do marketing esportivo será também de ser o gerenciador desse processo. Com início, meio e fim, abrindo as portas para o relacionamento entre marca investidora, clube e torcedor. A captação de patrocínio do clube deve ser tratada como um departamento comercial e contará com profissionais capacitados para que a margem de erro fique longe do amadorismo. 

Também vamos combater à pirataria de produtos do clube, desenvolvendo e ofertando artigos mais populares, baratos e acessíveis à capacidade financeira do consumidor. Vamos retornar com as Alvinegras da Vila, as animadoras de torcida em dias de jogos, com custo financiados por parceiros. 

Um dos projetos mais inovadores que temos para o marketing é um esquema inovador de franchising, juntando em um mesmo produto as franquias abaixo, dando facilidades progressivas aos investidores: Escolas de Futebol Meninos da Vila, Santos Store, Embaixadas, Bares Temáticos, Secretaria Social, Venda de Ingressos e Bar Temático. Queremos otimizar e monetizar cada metro quadrado da Vila Belmiro em parcerias rentáveis para o clube. 

Uma das ideias é a criação de arquibancadas temáticas de empresas, garantindo a venda de ingressos ao clube independente da ocupação dos lugares, nos padrões dos estádios norte-americanos. Vamos também licenciar miniparques do Baleinha e Baleião, em shoppings-centers, voltado às crianças de até 10 anos. É essencial melhorarmos a divulgação do projeto Peixinho da Vila visando o aumento da torcida do amanhã com novos atrativos, como encontro com os craques. Criar um projeto sem investimentos do clube apenas de parceiros, na área da Chácara Nicolau Moran. 

Vamos explorar melhor o salão de mármore para resgatar os eventos tradicionais e criar serviços temáticos como o “Aniversário em Branco e Preto”, “Batismo Santistas”, “Casamento Santista”, entre outros. Criação de stand itinerante do Santos FC para funcionar em eventos e locais de grande circulação, como Terminal de passageiros, Centro de Convenções, Mercado de Peixe, shoppings e outros, a fim de trazer mais turistas ao Santos e oferecer produtos e serviços. Enfim são muitas ideias para o Marketing melhorar.

Diário de SP: Como lidar com a queda de arrecadação no futebol por causa da pandemia?

Daniel Curi:  Como estava dizendo na resposta anterior. Ampliando as receitas diretas e indiretas e criando novas fontes de renda. A Covid-19 é uma oportunidade pro Santos desenvolver novas modalidades de produtos. Temos o projeto Santos Tec e vamos buscar fontes de receitas novas que usem o digital como ativo principal. O streaming é uma oportunidade única no futebol de investimento, em especial de geração de conteúdo exclusivo para seus consumidores e torcedores. O consumidor hoje é real time. Se o time está bem, quer comprar produtos do clube imediatamente. O Santos hoje não está preparado para este consumidor e perde receitas por isso.

Publicidade

mais lidas