Controle sobre convites para os jogos da Seleção Brasileira nos Estados Unidos se transforma em peça estratégica de poder dentro da Confederação Brasileira de Futebol. Distribuição de ingressos VIP coloca dirigentes em rota de colisão e reforça embates políticos na gestão de Samir Xaud.

Ana Beatriz Publicado em 22/06/2026, às 19h36
Durante a Copa do Mundo, uma disputa interna na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) gira em torno do controle da distribuição de ingressos, crucial para a articulação política entre dirigentes e federações. Essa controvérsia pode impactar o apoio político necessário para a gestão do presidente Samir Xaud.
Os ingressos da categoria 1, que oferecem acesso a áreas VIP, são utilizados para estreitar relações com presidentes de federações e patrocinadores, e a distribuição não é uniforme, favorecendo federações consideradas estratégicas para a atual administração. Essa situação reflete a luta por influência dentro da CBF em um momento de turbulência política.
Embora a CBF afirme que a distribuição é feita de forma coletiva, relatos internos indicam que diferentes grupos buscam ampliar seu poder sobre o processo. A disputa por ingressos evidencia a importância política desses recursos, que vão além do simples acesso aos jogos, influenciando decisões futuras da entidade.
Enquanto a Seleção Brasileira concentra suas atenções na busca pelo hexacampeonato mundial, uma disputa silenciosa movimenta os bastidores da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) durante a Copa do Mundo. O centro da controvérsia não está dentro das quatro linhas, mas sim no controle da distribuição de centenas de ingressos destinados aos jogos da equipe nacional.
Segundo informações divulgadas por veículos especializados e relatos de bastidores, a entrega dos ingressos adquiridos pela CBF para partidas do Brasil tornou-se alvo de uma disputa política interna envolvendo diferentes grupos de influência dentro da entidade. O embate não se resume à definição de quem terá acesso aos estádios, mas principalmente à escolha de quem controla a lista de convidados, considerada uma importante ferramenta de articulação política dentro do futebol brasileiro.
Historicamente, os ingressos disponibilizados pela confederação são utilizados para estreitar relações com presidentes de federações estaduais, dirigentes de clubes, patrocinadores, autoridades e aliados políticos. Em um ambiente onde o apoio das federações possui peso decisivo nas eleições da entidade, o controle desses convites representa uma valiosa moeda de influência.
Nos bastidores, dois nomes aparecem como figuras centrais na disputa. De um lado está Gustavo Feijó, atual diretor de seleções da CBF e integrante da delegação brasileira durante a Copa do Mundo. Do outro está Francisco Mendes, vice-presidente da Federação Mato-Grossense de Futebol e filho do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Ambos negam a existência de qualquer disputa relacionada à distribuição dos ingressos.
Procurada por veículos de imprensa, a CBF afirmou que não existe uma pessoa isoladamente responsável pelo processo de distribuição. Segundo a entidade, a definição dos convidados é realizada pelo gabinete do presidente Samir Xaud por meio de decisões coletivas. Ainda assim, relatos internos apontam que diferentes grupos buscam ampliar sua influência sobre o processo.
O tema ganha relevância porque os ingressos destinados a federações e clubes pertencem à categoria mais valorizada da competição. São entradas da categoria 1, com acesso a áreas VIP e espaços de hospitalidade corporativa, considerados os setores mais nobres dos estádios da Copa do Mundo.
Fontes ligadas à própria confederação afirmam que não haveria uma distribuição uniforme entre todas as federações estaduais. Segundo esses relatos, a quantidade de ingressos, benefícios de viagem e hospedagem teria variado de acordo com o peso político e o nível de apoio oferecido por cada dirigente à atual gestão da CBF. Na prática, federações consideradas mais estratégicas para a sustentação política do presidente Samir Xaud teriam recebido tratamento preferencial.
A polêmica surge em um momento delicado para a administração de Samir Xaud, que assumiu o comando da CBF em meio a um dos períodos mais turbulentos da história recente da entidade. Desde sua chegada ao cargo, o dirigente enfrenta disputas internas, divergências entre federações e questionamentos sobre o equilíbrio de forças dentro da confederação.
Nos últimos dias, presidentes de federações estaduais participaram de encontros realizados nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo, em eventos interpretados nos bastidores como demonstrações de apoio político à atual administração. Ao mesmo tempo, dirigentes que não fazem parte do núcleo mais próximo do comando da entidade teriam manifestado insatisfação com a distribuição de benefícios e acessos exclusivos relacionados à competição.
A disputa evidencia como os ingressos da Copa do Mundo vão muito além do entretenimento esportivo. Dentro da estrutura política da CBF, eles representam prestígio, aproximação institucional e fortalecimento de alianças que podem influenciar futuras decisões da entidade.
Enquanto a Seleção Brasileira busca resultados dentro de campo, a principal batalha nos corredores da CBF continua sendo travada longe dos gramados, em uma disputa que envolve influência, poder e articulação política.
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