Sabe quando você entra em algum ambiente e se depara com o completo alheamento dos presentes, cada um entretido com o(s) seus(s) gadget(s)? Bate aquela

Redação Publicado em 04/01/2020, às 00h00 - Atualizado às 21h27
Sabe quando você entra em algum ambiente e se depara com o completo alheamento dos presentes, cada um entretido com o(s) seus(s) gadget(s)? Bate aquela impressão de que tem mais smartphone que gente nesse mundo, não é mesmo? Pois a sua impressão está corretíssima, ao menos aqui no Brasil. É o que revela a 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).
Segundo o levantamento, são 230 milhões de celulares inteligentes ( smartphones ) em uso no Brasil, ao passo que a nossa população é de 207,6 milhões de pessoas. Se acrecentarmos a isso os notebooks e os tablets, são 324 milhões de dispositivos portáteis atualmente em uso, cerca de 1,6 deles por habitante. Impressionante, não?!
O equilíbrio no uso da tecnologia é um dos desafios dos próximos anos. Usufruir o que os avanços neste segmento têm proporcionado, sem deixar de viver verdadeiramente a vida, é uma tarefa que se impõe.
Quem nunca fez uso de celulares durante as refeições em família, seja para mostrar uma foto, registrar a decoração da mesa ou até dar risadas com algum meme engraçado? Aparentemente inofensivos, os celulares ganharam destaque nos encontros familiares, substituindo muitas vezes a troca de olhares, as conversas, a vida real.
Existem várias pesquisas que apontam os malefícios do uso dos celulares durante as refeições, que vão desde questões relacionadas à nutrição, a aspectos emocionais e sociais.
Durante um almoço com amigos e familiares , por exemplo, ao prestar mais atenção à tela do celular do que à presença das pessoas ao seu redor, perde-se a oportunidade de dialogar e estreitar laços reais.
O ato de sentar-se à mesa, fazer refeições na companhia de familiares ou amigos , é um hábito saudável e prazeroso. É a ocasião em que podemos presentear o outro com algo muito especial nos dias de hoje: o tempo. Tempo real, sem celular e outras distrações, verdadeiramente vivido. Conversar sobre o que aconteceu no trabalho do companheiro ou na escola dos filhos. Isso fortalece vínculos familiares. Os resultados são surpreendentes.
Esse, inclusive, foi o conselho compartilhado pelo Papa Francisco no último domingo (29/12), durante a última oração do Angelus em 2019, na praça de São Pedro, Vaticano. O Pontífice pediu que as famílias evitassem o uso de celulares durante as refeições, questionando: “Eu me pergunto se você, em família, sabe como se comunicar ou se você é como aquelas crianças nas mesas de refeição que ficam falando no celular?”.
Jorge Bergoglio enfatizou que a família deve ser protegida e valorizada. Segundo ele: “Temos que voltar a nos comunicar em nossas famílias. Pais, crianças, avós, irmãos e irmãs, essa é uma tarefa para ser assumida hoje, no dia da Família Sagrada”.
A mensagem do Papa ganhou grande repercussão, considerando sua posição de líder espiritual de milhões. Que tal, contagiados pelo espírito de renovação que marca o início do ano, seguirmos o conselho do pontífice e tentarmos, durante as reuniões em família, evitar o uso de celulares ou, ao menos, o seu abuso. Por mais olhares e palavras reais, por laços mais estreitos.
IG
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