As taxas de juros do crédito para empresas e pessoas físicas caíram em março, de acordo com dados divulgados hoje (28), em Brasília, pelo Banco Central (BC).

Redação Publicado em 28/04/2020, às 00h00 - Atualizado às 17h00
As taxas de juros do crédito para empresas e pessoas físicas caíram em março, de acordo com dados divulgados hoje (28), em Brasília, pelo Banco Central (BC).
A taxa média de juros para pessoas físicas ficou em 46,1% ao ano em março, com redução de 0,6 ponto percentual em relação a fevereiro.
No caso das empresas, a queda foi de 0,4 ponto percentual, indo para 16,6% ao ano.
Entre as modalidades para pessoas físicas, está o cheque especial com taxa de 130% ao ano (7,2% ao mês), redução em 0,6 ponto percentual. O BC determinou que os bancos não poderão cobrar taxas superiores a 8% ao mês, o equivalente a 151,8% ao ano.
Já os juros do rotativo do cartão de crédito subiram em março, chegando a 326,4% ao ano, com aumento de 3,8 pontos percentuais em relação a fevereiro.
O rotativo é o crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão. O crédito rotativo dura 30 dias. Após esse prazo, as instituições financeiras parcelam a dívida.
Na modalidade de parcelamento das compras pelo cartão de crédito, os juros chegaram a 186,5% ao ano em março, com aumento de 0,1 ponto percentual.
A taxa de juros do crédito pessoal não consignado subiu para 94,7% ao ano em março, com queda de 11,9 pontos percentuais em relação a fevereiro.
A taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) caiu 0,4 ponto percentual, indo para 21% ao ano no mês passado.
A inadimplência do crédito, considerados atrasos acima de 90 dias, para pessoas físicas subiu 0,1 ponto percentual, chegando a 5,2%. Entre pessoas jurídicas, a inadimplência permaneceu em 2,3% em março.
Todos esses dados são do crédito livre, em que os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes.
No caso do crédito direcionado (empréstimos com regras definidas pelo governo, destinados, basicamente, aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito), os juros para as pessoas físicas caíram 0,1 ponto percentual para 7,3% ao ano. A taxa cobrada das empresas permaneceu em 7,9% ao ano.
A inadimplência no crédito direcionado das empresas recuou 0,2 ponto percentual para 1,8% e das famílias subiu 0,5 ponto percentual para 2,4%.
Com medidas de injeção de liquidez na economia, o estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos ficou em R$ 3,587 trilhões em março, com alta de 2,9% em relação a fevereiro e de 9,6% em 12 meses.
Esse saldo do crédito correspondeu a 48,9% de tudo o que o país produz – o Produto Interno Bruto (PIB) – com aumento de 1,2 ponto percentual em relação a fevereiro.
Segundo o Banco Central, o crédito livre para pessoas jurídicas alcançou R$ 979,3 bilhões, representando crescimento de 9,9% no mês e de 21,7% em 12 meses.
“Em março, ocorreu expansão tanto nas modalidades com influência sazonal (desconto de duplicatas e recebíveis, antecipação de faturas de cartão) quanto nas relacionadas a fluxo de caixa (capital de giro), e nas de comércio exterior (adiantamentos sobre contratos de câmbio, financiamentos a exportações). Adicionalmente, cresceram os saldos influenciados pela variação cambial (notadamente repasses externos)”, diz o relatório do BC.
O crédito livre a pessoas físicas somou R$ 1,132 trilhão, com estabilidade no mês (0,1%) e expansão de 15,7% em 12 meses, “com destaque para as modalidades crédito pessoal consignado e composição de dívidas [renegociação de vários empréstimos em conjunto]”.
EBC
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