Ainda sem data para volta do futebol, os dirigentes brasileiros trabalham com um cenário de que a retomada se dará sem público nos estádios. Para eles,

Redação Publicado em 11/04/2020, às 00h00 - Atualizado às 12h45
Ainda sem data para volta do futebol, os dirigentes brasileiros trabalham com um cenário de que a retomada se dará sem público nos estádios. Para eles, submetidos às autoridades de saúde, é melhor que a bola role mesmo diante de arquibancadas vazias.
A equação é simples: sem jogo, sem arrecadação. Se as atividades voltarem, mesmo com a torcida no sofá de casa, a visão é de que o prejuízo será menor, embora o dinheiro de um jogo com portões fechados nunca seja recuperado. A questão financeira é vista com importância ainda maior em um ano cujas metas já foram comprometidas por causa da paralisação pelo novo coronavírus.
A receita de bilheteria está longe de ser o carro-chefe. Entre os 13 principais clubes da Série A 2020, que também estavam na elite em 2018 — ano das últimas prestações de contas publicadas —, o item corresponde, em média, a 8% da receita bruta do futebol. Os dados de Flamengo, Santos e Bahia são de 2019.
Ao aceitarem a retomada sem torcida, ainda que por algumas rodadas, os clubes se voltariam para contratos mais rentáveis.
— Embora perca algo de bilheteria, você não perderia receitas de direitos de transmissão, de patrocinadores. Isso acaba tendo um peso ainda maior. É uma discussão clara. Todo mundo entende que deve voltar quando houver aval das autoridades sanitárias. E poderá ser sem torcida. Se os órgãos disserem que existe segurança para voltar sem público, que voltemos. Melhor do que esperar mais — disse o presidente do Vasco, Alexandre Campello.
Somadas, as receitas de patrocínio e direitos de transmissão (que trazem a reboque a parcela relacionada ao desempenho no Brasileirão) representam, em média, quase a metade (48%) da arrecadação dos principais clubes. O percentual varia dependendo da venda robusta de algum jogador, como foi o caso do Santos, com a negociação de Rodrygo ao Real Madrid (R$ 172,4 milhões) ou do Flamengo, que vendeu Paquetá ao Milan (R$ 150 milhões).
No caso dos patrocinadores, a ausência de exposição coloca em xeque a viabilidade da parceria. No Rio, o Azeite Royal deixou os quatro grandes. O São Paulo, ao menos, renovou o patrocínio master com o Banco Inter até dezembro.
— Toda competição tem alguma empresa que promove e transmite os jogos. Bilheteria é importante, mas nós temos contratos — afirma Robinson de Castro, presidente do Ceará.
Uma hipótese considerada é que os jogos sem torcida podem não ser do Brasileirão. Tudo depende de quanto tempo durar a paralisação. Os clubes e federações priorizam encerrar os estaduais, ainda que com estádios vazios. Nos torneios nacionais, o impacto na bilheteria se restringiria à Copa do Brasil. Mas, por ora, qualquer afirmação contundente, em um país com níveis distintos de evolução do coronavírus, parece devaneio.
Há quem esteja vacinado contra a dependência das receitas de bilheteria. A Arena do Grêmio não é, de fato, do clube. As arrecadações não entram no balanço e vão para a conta da empresa que administra o estádio. O que aparece na prestação de contas é o percentual de alguma renda como visitante (Gre-Nal, por exemplo) ou em mando em outro estádio.
— Aprendemos a viver sem a renda dos jogos. Se a recomendação das autoridades for com portões fechados, para nós está bem. Nesse momento, prevalece a questão sanitária — disse o presidente Romildo Bolzan.
IG
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