Oito estojos de fuzil calibre 5.56 encontrados no quintal da casa onde o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morreu, no Complexo do Salgueiro, em São

Redação Publicado em 13/07/2020, às 00h00 - Atualizado às 10h42
Oito estojos de fuzil calibre 5.56 encontrados no quintal da casa onde o menino João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, morreu, no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio , serão encaminhados pelo Ministério Público do Rio para a Polícia Federal . O material será comparado com estojos de três fuzis que estavam com policiais civis que participaram da operação – que contou também com equipes da PF – durante a qual o adolescente foi baleado. As informações são do ” G1 “.
Além dos estojos, será também mandado para a perícia da PF um fragmento de um projétil calibre 5.56 encontrado no corpo de João Pedro , informou o portal de notícias. O adolescente morreu no dia 18 de maio deste ano. Após ser baleado, o garoto foi transportado pelo helicóptero da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), da Polícia Civil, até o heliponto da Lagoa, na Zona Sul do Rio, onde foi constatada sua morte. Parentes do garoto não foram informados sobre essa movimentação e procuraram por ele durante 17 horas.
Os policiais investigados pelo homicídio de João Pedro deram duas versões diferentes sobre tiros disparados do helicóptero em direção ao Complexo do Salgueiro. No primeiro depoimento que prestaram, no dia da morte, os três agentes investigados omitiram que fizeram disparos da aeronave. Já no segundo relato, uma semana depois, eles afirmaram que atiraram um total de 29 vezes da aeronave em direção ao solo.
De acordo com a segunda versão apresentada pelos agentes — lotados na Core —, os disparos do helicóptero foram feitos quando a equipe chegou ao Salgueiro e foi atacada por criminosos armados. O policial que afirmou ter dado mais tiros da aeronave é o inspetor Mauro José Gonçalves, que apertou o gatilho 15 vezes antes do pouso.
Em seu segundo relato, Gonçalves também mudou a versão sobre a arma que usou para disparar dentro da casa onde o adolescente foi morto. No primeiro depoimento, ele alegou que só usou, no dia do crime, um fuzil de calibre 762. Já uma semana depois, disse que, na verdade, portou dois fuzis durante a operaçao: o de calibre 762, segundo a nova versão, foi usado no helicóptero; após o pouso, o agente disse ter usado um fuzil M16 de calibre 556, mais leve, que levava como “reserva”.
O laudo pericial feito pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) sobre a casa onde João Pedro foi baleado enumera 64 marcas de tiros na residência. A maior parte delas, segundo o documento, foi produzida por disparos feitos a partir do portão de entrada do terreno — justamente por onde os três policiais civis investigados pelo crime entraram no local.
Segundo o laudo, a distribuição dos projéteis encontrados na casa “permite concluir se tratar de mais de uma arma com produção de tiros em sentidos opostos”. No entanto, segundo o próprio perito esclarece no documento, todos os projéteis foram entregues à perícia pelos próprios agentes investigados. Ou seja, os cartuchos não foram coletados pelo perito nos locais onde foram encontrados. Os agentes investigados também entregaram ao perito uma pistola calibre 9mm e três granadas.
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