Mensagem revela que Paulo Henrique Costa solicitou estratégia jurídica para cenário de liquidação do banco meses antes da intervenção oficial.

Redação Publicado em 24/04/2026, às 10h00
Mensagens revelam que o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, já considerava a liquidação do Banco Master 50 dias antes da decisão oficial do Banco Central, o que indica uma preparação para um colapso iminente da instituição financeira.
O BRB havia adquirido carteiras de crédito de alto risco do Master, e a tentativa de compra do banco foi rejeitada pelo Banco Central, evidenciando a gravidade da situação financeira da instituição.
Após a liquidação do Master, a Polícia Federal lançou a Operação Compliance Zero para investigar irregularidades na gestão do banco, resultando na prisão de Costa por corrupção, enquanto o caso continua sob investigação por autoridades financeiras.
Uma troca de mensagens obtida por reportagem revela que o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, já trabalhava com a possibilidade de liquidação do Banco Master cerca de 50 dias antes da decisão oficial do Banco Central do Brasil.
No diálogo, enviado em 29 de setembro de 2025, Costa pede ao então diretor jurídico do BRB, Jacques Veloso, a definição de estratégias legais diante de um possível colapso da instituição financeira. “Precisamos definir as estratégias jurídicas para o cenário de liquidação do Master”, escreveu.
Naquele momento, o BRB já havia adquirido carteiras de crédito consideradas de alto risco do Master, enquanto a tentativa de compra do próprio banco havia sido barrada pelo Banco Central no início do mesmo mês.
A liquidação extrajudicial do Master foi decretada semanas depois, marcando um dos episódios mais relevantes do sistema financeiro recente. No mesmo dia da decisão, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades envolvendo a gestão do banco e relações com agentes públicos.
Meses após o início das investigações, Paulo Henrique Costa foi preso sob suspeita de participação em um esquema de corrupção. Segundo a Polícia Federal, ele teria recebido vantagens indevidas por meio de imóveis avaliados em mais de R$ 146 milhões, em troca de favorecimento ao banco.
Procurado, Jacques Veloso afirmou que, após a solicitação, foram realizadas reuniões técnicas com apoio de especialistas para avaliar os cenários jurídicos possíveis. Segundo ele, medidas foram tomadas posteriormente para resguardar os interesses do BRB, incluindo a contratação de escritórios especializados e a adoção de ações judiciais.
O caso segue sob investigação e é acompanhado de perto por autoridades do sistema financeiro e órgãos de controle, diante do impacto potencial sobre a credibilidade institucional e o mercado bancário brasileiro.
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