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Epidemia

Raposa-voadora: o que se sabe sobre o morcego gigante associado ao vírus Nipah

Entenda quem é o morcego do gênero Pteropus, como ocorre a transmissão e por que o Brasil acompanha o tema à distância

As raposas-voadoras, grandes morcegos asiáticos, são reservatórios do vírus - Imagem: Reprodução/G1
As raposas-voadoras, grandes morcegos asiáticos, são reservatórios do vírus - Imagem: Reprodução/G1

Gabriela Nogueira Publicado em 31/01/2026, às 08h30


O avanço de casos do vírus Nipah em países da Ásia reacendeu a atenção internacional para a raposa-voadora, um morcego de grandes proporções que atua como reservatório natural do patógeno. Apesar do impacto visual e do histórico associado a surtos graves, especialistas afirmam que o risco de disseminação do vírus para o Brasil por meio da fauna silvestre é extremamente baixo.

As raposas-voadoras pertencem ao gênero Pteropus e estão entre os maiores morcegos do mundo, com envergadura que pode se aproximar de dois metros. Diferentemente das espécies mais conhecidas no Brasil, elas se orientam principalmente pela visão, têm hábitos crepusculares e se alimentam de frutos, néctar e pólen. Sua aparência, com focinho alongado e olhos grandes, rendeu o apelido popular de morcego com “cara de cachorro”.

O interesse científico em torno desses animais está ligado à capacidade de abrigar vírus altamente letais, como Nipah e Hendra, sem desenvolver sintomas. Pesquisas indicam que isso ocorre por conta de um metabolismo acelerado, necessário para o voo, que mantém a temperatura corporal elevada e moldou um sistema imunológico altamente eficiente.

Apesar da associação direta entre o vírus e as raposas-voadoras, não há registros dessas espécies no Brasil ou em qualquer outro país das Américas. Elas são nativas de regiões do Sudeste Asiático, Oceania, partes da África e ilhas do Oceano Índico. Barreiras geográficas naturais, como oceanos inteiros, tornam impossível a chegada desses morcegos ao território brasileiro de forma espontânea.

Segundo especialistas em biodiversidade e saúde pública, mesmo a hipótese de um viajante infectado transmitir o vírus para morcegos nativos do Brasil é considerada remota. Não existem evidências de que o Nipah consiga se adaptar às espécies brasileiras, que são biologicamente distintas das raposas-voadoras asiáticas.

Autoridades sanitárias reforçam que o principal risco associado ao vírus está na transmissão entre humanos em regiões onde ele já circula, geralmente ligada ao contato com secreções contaminadas ou ao consumo de alimentos crus afetados por morcegos. Por isso, o foco da vigilância internacional permanece no controle de casos humanos, e não no manejo da fauna.

Especialistas também alertam para o perigo da desinformação. Morcegos cumprem funções ambientais essenciais, como dispersão de sementes, polinização e controle de insetos. Ataques ou extermínio desses animais, além de injustificados, podem agravar desequilíbrios ambientais e aumentar riscos sanitários a longo prazo.

No Brasil, a recomendação segue sendo evitar qualquer contato direto com morcegos, vivos ou mortos, e acionar as autoridades de zoonoses em situações de risco. Embora o país não registre casos de Nipah, a raiva ainda é uma preocupação, reforçando a importância da vacinação de cães e gatos.


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