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Flávio Bolsonaro surpreende e empata com Lula no 2º turno

Imagem: Reprodução
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Reinaldo Polito

por Reinaldo Polito

Publicado em 28/12/2025, às 08h00


Sólon Borges dos Reis era uma pessoa com quem dava gosto conviver. Quem me apresentou a ele foi o deputado e líder do PTB em São Paulo, Fernando Mauro Pires Rocha. Durante uma conversa no Hospital Alvorada, do qual era proprietário, comentou: "Polito, por que você não convida o deputado Sólon Borges dos Reis para ser o paraninfo do seu curso de oratória? Você vai ganhar um amigo eterno."

Ele tinha razão. Sólon fez um discurso brilhante ao ser paraninfo de nossas turmas e nos tornamos bons amigos. De vez em quando, eu o visitava no Centro do Professorado Paulista (CPP), onde era presidente. Conversávamos conforme o tempo permitia. Invariavelmente, ele abria a gaveta da escrivaninha e tirava de lá um livro de oratória.

Sólon, um ilustre desconhecido

Muitas obras passavam pela biblioteca do CPP. Sempre que encontrava uma de oratória, sabendo que eu era colecionador, me presenteava com o comentário: "Vai ficar muito melhor em suas mãos." Ele estava certo. Tenho no meu acervo vários livros que recebi dele. Quando assumi como membro titular da Academia Paulista de Educação, ele deixava a presidência da instituição.

Como vice-prefeito no governo de Paulo Maluf, assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo por duas vezes, em outubro de 1993 e abril de 1995. Em uma dessas ocasiões, logo após assumir o cargo, sentou-se tranquilamente em uma lanchonete para tomar café. Ninguém o reconheceu.

Em tom irônico, comentou que, para ser popular, precisaria ser prefeito por muito mais tempo. Impressiona como alguém que presidiu o CPP por mais de 40 anos, exerceu vários mandatos como deputado e foi vice-prefeito da maior cidade do país pudesse ser, ainda assim, um ilustre desconhecido.

Pesquisas interessantes

A Paraná Pesquisas acaba de divulgar um importante levantamento sobre a corrida presidencial do ano que vem. Lula, que está em campanha há mais de 20 anos, aparece empatado no segundo turno com o governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o senador Flávio Bolsonaro.

A surpresa está justamente aí. Michelle e Tarcísio sequer declararam ser candidatos, e Flávio acabou de ser indicado pelo pai. Ou seja, Lula empata com não candidatos e com um nome ainda pouco conhecido da população.

Flávio, o desconhecido

Quem conhece Flávio Bolsonaro? Garimpei a internet em busca de alguma pesquisa que medisse seu grau de conhecimento junto ao eleitorado, mas não encontrei. Para se ter ideia do nível de desinformação, em 2016, quando Michel Temer já exercia a vice-presidência da República, cerca de 30% dos brasileiros não sabiam que ele ocupava esse cargo.

Embora não existam pesquisas que mostrem a popularidade de Flávio Bolsonaro, é razoável supor que grande parte da população não saiba exatamente quem ele é. O sobrenome ajuda a criar alguma associação, mas conhecer o político, sua trajetória e suas posições é outra história.

Desaprovação de Lula

Lula deve ficar preocupado porque seus níveis de aprovação são delicados. Pesquisa realizada pela Genial/Quaest entre os dias 11 e 14 deste mês aponta que a desaprovação do presidente chegou a 49%. Praticamente metade da população afirma rejeitá-lo.

Flávio também enfrenta rejeição. No seu caso, foi alvo de ataques frequentes e agressivos por parte de críticos, em episódios que acabaram respingando na imagem do pai. Nada foi comprovado contra ele, mas a imagem saiu chamuscada.

Qualquer deslize pode influenciar

Durante a campanha, com maior exposição e tempo de televisão, terá oportunidade de explicar reiteradamente sua versão dos fatos. Nas entrevistas mais recentes, mostrou-se um orador moderado, que evita reações emocionais diante de perguntas capciosas e faz questão de se diferenciar do estilo do pai.

Lula deverá lançar mão de todo o peso do governo para enfraquecer o adversário e tentar reverter sua imagem negativa. Será uma disputa interessante de acompanhar. No meio do caminho, tudo pode acontecer. Uma frase mal construída, uma resposta hesitante ou um novo fato negativo podem mudar o rumo de uma campanha.

Explicações a dar

Lula está hoje cercado por notícias desabonadoras. Esteja ou não diretamente ligado aos episódios, os desvios no INSS e o caso do Banco Master são imbróglios que exigem explicações. Se o desgaste resvalar no presidente, as urnas cobrarão a conta.

Flávio já explicou, mas certamente ainda terá de voltar ao tema das rachadinhas e da compra do imóvel. Para ambos, Lula e Flávio, as respostas precisarão estar sempre na ponta da língua. Qualquer sinal de hesitação ou de esperteza será rapidamente percebido pelo eleitorado.

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