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Tragédia na Zona da Mata mineira já soma 72 mortos; Lula anuncia representante fixo na região

Governo amplia suporte às cidades atingidas enquanto equipes locais seguem buscas e organizam atendimento a desabrigados e desalojados

Lula visita áreas atingidas pelas chuvas em Minas Gerais - Imagem: Ricardo Stuckert
Lula visita áreas atingidas pelas chuvas em Minas Gerais - Imagem: Ricardo Stuckert

Lívia Gennari Publicado em 01/03/2026, às 11h26


O número de mortos em consequência das chuvas que devastaram a Zona da Mata mineira subiu para 72 neste domingo (1º), segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. As equipes localizaram mais três corpos nas últimas 24 horas: dois em Juiz de Fora e um em Ubá.

De acordo com os bombeiros, a vítima encontrada em Ubá foi localizada por um morador, a cerca de seis quilômetros do ponto onde havia sido vista pela última vez. Apenas uma pessoa continua desaparecida na cidade.

No sábado (28), as buscas em Juiz de Fora já haviam resultado no resgate dos corpos de um adulto e de uma criança de 9 anos, encerrando a procura por desaparecidos no município.

Dos 72 óbitos confirmados, 65 ocorreram em Juiz de Fora e sete em Ubá. A corporação, porém, registra oficialmente 61 mortes, número que inclui apenas vítimas encontradas em áreas de deslizamento. As demais são contabilizadas pela Polícia Civil de Minas Gerais e pelo Instituto Médico-Legal de Minas Gerais, responsáveis pelos casos que evoluíram após resgate ou que não envolveram diretamente soterramentos.

A dimensão da tragédia segue alterando a rotina das cidades. Em Ubá, há duas pessoas desaparecidas, 25 desabrigados e 396 desalojados. Em Juiz de Fora, o balanço é ainda mais severo: 700 desabrigados e mais de 3.500 desalojados.

Reação do governo e liberação de recursos

O governo federal reconheceu a calamidade pública em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, além da situação de emergência em Divinésia e Senador Firmino. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional liberou R$ 11,3 milhões para ações imediatas de limpeza, mobilidade e recomposição de serviços essenciais.

O ministro Waldez Góes, que visitou as áreas afetadas, afirmou que o repasse marca o início do suporte emergencial e será complementado conforme a evolução das necessidades locais.

No sábado (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Minas Geraispara avaliar os danos e anunciou que um representante permanente do governo federal ficará em Juiz de Fora para facilitar o diálogo entre Brasília e as prefeituras atingidas.

Moradia, infraestrutura e saúde

O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, declarou que todas as famílias que perderam seus imóveis receberão uma nova moradia financiada pelo governo federal, avaliada em até R$ 200 mil. Ele também informou o envio de equipes especializadas em macrodrenagem e estabilização de encostas para orientar intervenções estruturais urgentes.

Na área da saúde, o ministro Alexandre Padilha anunciou o envio de 2,5 toneladas de medicamentos e insumos, incluindo antibióticos, remédios para doenças crônicas e tratamentos específicos para enfermidades associadas a enchentes, como diarreia e leptospirose. Haverá também ampliação da oferta de vacinas contra hepatites A e B e tétano, além da entrega antecipada de 50 novas ambulâncias do Samu para reforçar o atendimento médico. 

O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes, confirmou que os moradores afetados estão autorizados a sacar o FGTS na modalidade Calamidade, com solicitação disponível pelo aplicativo até 18 de março.

Enquanto as equipes continuam as buscas e o levantamento de danos, moradores tentam reorganizar a vida entre abrigos improvisados, estruturas danificadas e a expectativa de que o suporte emergencial ajude a reconstruir o que foi perdido após uma das semanas mais devastadoras da história recente da região.


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