Após rejeição histórica de Jorge Messias, presidente cobra reação da base, avalia mudanças no governo e recebe pressão para esfriar cenário político antes de nova escolha.

Redação Publicado em 04/05/2026, às 10h12
A rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF pelo Senado gerou forte irritação no governo Lula, marcando a primeira negativa a um indicado em mais de um século e elevando a tensão política em Brasília.
A derrota é atribuída não apenas à oposição, mas também a dissidências dentro da base aliada, levando Lula a criticar parlamentares que não agiram para reverter a situação, incluindo o ministro da Justiça, Wellington César.
Diante do cenário conturbado, aliados sugerem cautela antes de uma nova indicação ao STF, enquanto especulações sobre mudanças ministeriais e possíveis candidatos, como Bruno Dantas e Daniela Teixeira, começam a surgir, refletindo a necessidade de uma escolha estratégica.
A derrota inédita do governo no Senado na indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) ainda reverbera nos bastidores de Brasília e elevou a temperatura política dentro do Palácio do Planalto.
Segundo relatos de interlocutores, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com forte irritação ao resultado e, em conversas reservadas com ministros do Judiciário, chegou a chamar de “filho da p.” quem teria articulado para barrar o nome de seu indicado.
A fala expõe o clima de tensão após a votação no Senado, que rejeitou Messias em um episódio considerado histórico — a primeira negativa a um indicado ao STF em mais de um século.
Pressão para esfriar o ambiente
Diante do cenário, aliados e membros do Judiciário têm aconselhado Lula a adotar cautela e adiar o envio de um novo nome à Corte. A avaliação é de que o ambiente político ainda está contaminado por disputas internas e pela quebra de confiança na base governista.
Apesar disso, ainda não há definição sobre o próximo passo do presidente. Nos bastidores, a percepção é de que Lula está disposto a reagir politicamente antes de avançar com uma nova indicação.
“Traição” e busca por culpados
O Planalto trabalha com a hipótese de que a derrota não foi apenas resultado da oposição, mas também de dissidências dentro da própria base aliada.
A irritação do presidente se estende a parlamentares que, segundo ele, assistiram à articulação contra Messias sem agir para revertê-la. O foco das críticas inclui inclusive integrantes do governo.
Entre os nomes citados nos bastidores está o ministro da Justiça, Wellington César, apontado como pouco atuante na defesa da indicação. Ele pode perder espaço na Esplanada como parte de uma possível reorganização política.
Possíveis mudanças no governo
A crise abriu espaço para especulações sobre trocas ministeriais. Uma das hipóteses discutidas é a ida do próprio Messias para o Ministério da Justiça, em substituição a César — movimento que seria interpretado como retaliação política.
O episódio também expôs fragilidades na articulação do governo no Congresso e reforçou o peso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, apontado como um dos principais opositores à indicação.
Novos nomes e resistência
Enquanto isso, possíveis substitutos já começam a ser ventilados. Entre eles, o ministro do TCU, Bruno Dantas, e a ministra do STJ, Daniela Teixeira.
No entanto, o clima de desgaste tem gerado cautela — e até resistência — entre potenciais indicados, que temem enfrentar o mesmo embate político.
A avaliação dentro do governo é de que a próxima escolha para o STF precisará ser não apenas técnica, mas estrategicamente alinhada ao cenário político para evitar uma nova derrota.
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