Diário de São Paulo
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Governo estuda recorrer ao STF para barrar trechos de projeto que renegocia dívidas do agronegócio

Equipe econômica avalia vetos presidenciais e possível ação no Supremo contra proposta aprovada pelo Senado que utiliza recursos do Fundo Social do Pré Sal para financiar a renegociação de débitos rurais.

Dario Durigan afirmou que o governo avalia vetos e até uma ação no STF contra trechos do projeto de renegociação das dívidas rurais - Imagem: Reprodução
Dario Durigan afirmou que o governo avalia vetos e até uma ação no STF contra trechos do projeto de renegociação das dívidas rurais - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 11/06/2026, às 20h10


O governo federal pode recorrer ao STF para suspender partes de um projeto de lei que cria uma linha de financiamento para renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos, após sua aprovação no Senado. A medida é vista como necessária para o setor agropecuário, mas levanta preocupações sobre seu impacto fiscal.

O projeto visa oferecer crédito a produtores e cooperativas afetados por desastres naturais, mas a equipe econômica alerta que o uso de recursos do Fundo Social do Pré Sal pode gerar questionamentos constitucionais e aumentar os gastos públicos. A falta de consenso entre o governo e os parlamentares resultou na aprovação da proposta, que agora retorna à Câmara dos Deputados.

O governo está considerando vetos presidenciais e ações judiciais para contestar trechos do projeto, caso seja sancionado com as atuais disposições. A situação permanece tensa, com a necessidade de ajustes para garantir a sustentabilidade das finanças públicas.

O governo federal poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender trechos do projeto de lei que cria uma linha especial de financiamento para a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, após a aprovação da proposta pelo plenário do Senado Federal nesta quarta-feira, 10.

Segundo o ministro, a equipe econômica considera que alguns dispositivos do projeto podem gerar elevado impacto fiscal e comprometer o equilíbrio das contas públicas. Além da possibilidade de uma ação judicial no STF, o Palácio do Planalto também analisa a adoção de vetos presidenciais caso a matéria seja aprovada em definitivo pelo Congresso Nacional.

"O governo está avaliando todas as medidas jurídicas e constitucionais cabíveis", afirmou Durigan ao comentar a tramitação do projeto.

A proposta aprovada pelos senadores cria uma linha especial de crédito destinada à renegociação de dívidas de produtores rurais, cooperativas e outras organizações do setor agropecuário afetadas por secas, enchentes e outros eventos climáticos extremos. O texto também amplia as possibilidades de refinanciamento de débitos acumulados em razão de crises econômicas e oscilações do mercado.

Um dos pontos que mais preocupam a equipe econômica é a previsão de utilização de recursos do Fundo Social do Pré Sal para viabilizar parte das operações financeiras. O governo argumenta que a destinação desses recursos para essa finalidade pode gerar questionamentos constitucionais e aumentar significativamente os gastos públicos.

O impasse marcou os momentos finais da votação no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), promoveu uma rodada extra de negociações entre líderes partidários, representantes do Ministério da Fazenda e o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Renan Calheiros (MDB-AL), na tentativa de construir um consenso.

Apesar das tratativas, não houve acordo entre o governo e a maioria dos parlamentares. A proposta acabou sendo aprovada e agora retorna à Câmara dos Deputados, já que sofreu alterações durante sua tramitação no Senado.

Defensores do projeto afirmam que a medida é essencial para garantir a continuidade das atividades do setor agropecuário diante das perdas provocadas por eventos climáticos extremos, que afetaram diversas regiões do país nos últimos anos. Já a equipe econômica sustenta que o texto precisa ser ajustado para evitar riscos fiscais e preservar a sustentabilidade das finanças públicas.

Caso o projeto seja aprovado pela Câmara e sancionado com os dispositivos atuais, o governo poderá acionar o Supremo Tribunal Federal para contestar os pontos considerados incompatíveis com a Constituição.


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