Investigada por suposto desvio de mais de R$ 156 milhões de aposentados e pensionistas, empresária ligada à Conafer tem crise de ansiedade durante oitiva, não responde aos questionamentos e amplia pressão por responsabilização no escândalo previdenciário.

Ana Beatriz Publicado em 25/02/2026, às 13h23
Ingrid Pikinskeni Morais Santos, empresária ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares, passou mal durante depoimento em uma CPI que investiga fraudes bilionárias contra aposentados do INSS, resultando na suspensão da sessão antes de questões cruciais serem abordadas.
Ela é acusada de ter se beneficiado de mais de R$ 156 milhões em descontos irregulares em benefícios previdenciários, com investigações apontando que empresas em seu nome receberam repasses suspeitos relacionados ao esquema.
A comissão planeja convocá-la novamente para esclarecer seu papel nas fraudes, enquanto a pressão pública por responsabilizações aumenta, especialmente considerando que as vítimas são aposentados de baixa renda que sofreram perdas em seus benefícios.
A empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos protagonizou um dos momentos mais tensos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. Na noite de 23 de fevereiro de 2026, durante depoimento ao colegiado, ela passou mal, chorou e alegou crise de ansiedade, o que levou à suspensão da sessão antes que as perguntas centrais sobre o destino dos recursos desviados fossem respondidas.
Ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais, a empresária é apontada pelos investigadores como beneficiária de mais de R$ 156 milhões obtidos por meio de descontos irregulares aplicados em benefícios previdenciários. Segundo as apurações, empresas registradas em seu nome teriam recebido repasses suspeitos provenientes do esquema que atingiu milhares de segurados.
Durante a oitiva, Ingrid negou conhecimento das irregularidades e transferiu a responsabilidade ao marido, Cícero Marcelino de Souza Santos, apontado como operador financeiro da entidade. A versão, porém, foi duramente criticada pelos parlamentares. O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, classificou a justificativa como inconsistente e ironizou a situação ao afirmar que ela seria “uma mulher de R$ 156 milhões roubados de velhinhos”, em referência ao montante sob suspeita.
O clima de tensão aumentou quando os senadores passaram a questionar o enriquecimento repentino do casal e a possibilidade de Ingrid ter atuado como “laranja” no esquema. Em meio às perguntas, a empresária começou a chorar, afirmou estar se sentindo mal e foi atendida por médicos do Senado, que diagnosticaram uma crise de ansiedade. Após receber medicação, ela não retornou à sessão, que acabou encerrada sem conclusão formal.
O episódio ganhou ampla repercussão política e jurídica. Nos bastidores da comissão, parlamentares interpretaram a saída abrupta como tentativa de evitar respostas diretas sobre o fluxo dos valores desviados dos beneficiários do INSS. A estratégia de silêncio foi reforçada pelo fato de Ingrid possuir habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal que lhe permite não responder a perguntas que possam incriminá-la.
A CPMI investiga um dos maiores esquemas já identificados envolvendo descontos associativos indevidos em aposentadorias e pensões. A suspeita é de que entidades tenham firmado convênios com o INSS para realizar cobranças automáticas nos benefícios sem autorização válida dos segurados, gerando repasses milionários a empresas e intermediários ligados ao esquema.
A interrupção do depoimento, no entanto, frustrou a expectativa dos parlamentares de esclarecer o papel exato da empresária na estrutura financeira das fraudes. Integrantes da comissão defendem nova convocação e eventual responsabilização caso fique comprovado que ela se beneficiou diretamente dos valores desviados.
Enquanto isso, o caso segue alimentando a pressão pública por punições exemplares. Para especialistas ouvidos pela comissão, o impacto social das fraudes é agravado pelo perfil das vítimas: aposentados e pensionistas de baixa renda, que tiveram parcelas de seus benefícios reduzidas por descontos que alegam nunca ter autorizado.
A CPMI deve retomar as oitivas nas próximas semanas, com foco na identificação dos responsáveis diretos pela operacionalização dos repasses e na apuração do caminho do dinheiro que saiu das contas dos segurados até chegar às empresas sob investigação.
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