Pedido foi apresentado ao ministro André Mendonça por advogado que não atua no inquérito; defesa cita risco de evasão após saída do país e aponta indícios de ligação com o núcleo do esquema investigado pela PF.

Ana Beatriz Publicado em 13/01/2026, às 14h23
O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltou ao centro do debate político e jurídico após um pedido de prisão preventiva apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações sobre um esquema bilionário de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O requerimento foi protocolado pelo advogado Jeffrey Chiquini e direcionado ao ministro André Mendonça, relator do inquérito na Corte.
Chiquini é advogado de Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo STF por participação na trama golpista, mas afirma que o pedido envolvendo Lulinha foi feito de forma pessoal e sem relação com a defesa de seu cliente. Segundo ele, a iniciativa tem caráter “estritamente técnico”.
O advogado fundamenta o pedido na existência de “indícios robustos” de que Lulinha poderia ter envolvimento direto nas fraudes investigadas pela Polícia Federal. Recentemente, a PF encaminhou ao STF uma representação na qual aponta que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva “em tese, poderia atuar como sócio oculto” do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, apontado como peça central do esquema.
Um dos principais argumentos apresentados por Chiquini diz respeito à saída de Lulinha do Brasil nos últimos dias. De acordo com informações citadas na petição, ele teria retornado à Espanha, onde mantém residência, sem, até o momento, ter se colocado à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos no curso da investigação.
No documento enviado ao STF, o advogado sustenta que a viagem ao exterior, em meio a uma investigação criminal avançada, configura risco concreto à aplicação da lei penal. O texto ressalta que a suposta disponibilidade de recursos financeiros e vínculos internacionais poderiam facilitar eventual evasão e dificultar a persecução penal.
“Tal circunstância assume especial relevo sob a ótica cautelar”, escreveu Chiquini, ao defender que o caso preenche os requisitos legais para a decretação da prisão preventiva. O advogado também solicitou que o pedido seja encaminhado com urgência ao Ministério Público para manifestação e eventual ratificação.
Até o momento, não há decisão do ministro André Mendonça sobre o requerimento, nem manifestação pública da defesa de Lulinha. O avanço do caso deve intensificar a repercussão política das investigações, que apuram prejuízos bilionários aos cofres públicos por meio de fraudes em benefícios previdenciários.
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