Condenado a quase 700 anos de prisão pelo assassinato de mais de 30 pessoas, o laudo revelou uma visão detalhada sobre Tiago Henrique Gomes da Rocha

William Oliveira Publicado em 15/10/2024, às 09h35
O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) divulgou um laudo psiquiátrico que oferece uma visão aprofundada sobre Tiago Henrique Gomes da Rocha, o infame serial killer de Goiânia, condenado a quase 700 anos de prisão pelo assassinato de mais de 30 pessoas. O documento foi elaborado pela Junta Médica Oficial após entrevistas realizadas em fevereiro de 2015, alguns meses após a captura de Tiago pela Polícia Civil de Goiás (PCGO).
A operação para capturar o criminoso envolveu 33 equipes policiais em busca do indivíduo que aterrorizava a cidade ao atacar mulheres. O laudo detalha que Tiago, inicialmente resistente, colaborou com a análise após ser esclarecido sobre o propósito do exame. Ele relatou experiências pessoais e familiares, mencionando a ausência paterna e sua criação pela mãe, que o teve aos 17 anos.
Durante as sessões, Tiago expressou sentimentos de ódio pela humanidade e demonstrou não sentir remorso por seus atos, revelando uma crença pessoal na inevitabilidade de suas ações.
"Eu só segui meu curso, só cumpri minha missão, mano. Eu sou extremamente equilibrado, consigo me controlar, mas fico nervoso várias vezes", afirmou.
Tiago relatou ter tido apenas um relacionamento amoroso significativo, aos 19 anos, com uma jovem que conheceu na igreja. Sua mãe confirmou que ele fora batizado na Assembleia de Deus, embora não seguisse a religião. Profissionalmente, Tiago trabalhou como vigilante em diversas empresas de segurança em Goiânia, mantendo uma aparência discreta que ocultava sua identidade criminosa.
O exame também revelou desconexões ideológicas e visões distorcidas sobre si mesmo e o mundo ao seu redor. Ele mencionou sentir-se parte de uma missão superior, comparando-se a figuras históricas controversas como Hitler e Stalin.
Os psiquiatras concluíram que Tiago apresenta Transtorno de Personalidade Antissocial com traços psicopáticos. Contudo, isso não implica incapacidade mental; ao contrário, ele é plenamente consciente da ilicitude de seus atos. Descrito como "altamente perigoso", com propensão à reincidência, seu comportamento gerou medo nas testemunhas durante os julgamentos presididos pelo juiz Jesseir Coelho de Alcântara.
Ainda durante a análise, Tiago descreveu desconfiança e irritação nos relacionamentos interpessoais e mostrou desprezo pelas visitas recebidas na prisão, incluindo as da própria família.
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