Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, conhecido como Tiü França, faleceu após detonar um explosivo artesanal em frente a Praça dos Três Poderes, em Brasília

William Oliveira Publicado em 27/11/2024, às 13h22
Em um relatório detalhado, a Polícia Federal (PF) destacou o episódio do "homem-bomba" ocorrido nas imediações do Supremo Tribunal Federal (STF), como parte de uma investigação mais ampla sobre uma suposta conspiração golpista associada ao governo de Jair Bolsonaro. Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, conhecido como Tiü França, faleceu após detonar um explosivo artesanal em frente ao STF, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.
A PF relacionou esse incidente, datado de 13 de novembro de 2024, a uma série de eventos violentos previamente registrados na capital do país, incluindo os tumultos de 12 e 24 de dezembro de 2022 e, notoriamente, os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. O órgão ressaltou a presença de um radicalismo "latente" que permeia segmentos da sociedade.
De acordo com o relatório da Polícia Federal, a repetição de ataques contra as instituições democráticas criou um ambiente fértil para o crescimento desse radicalismo. Embora os atos mais intensos tenham ocorrido em janeiro de 2023, os riscos permanecem presentes, como exemplificado pelo ataque explosivo recente.
Francisco Luiz lançou artefatos explosivos em direção ao STF antes de utilizar um dispositivo sob sua própria cabeça, culminando em sua morte instantânea no local. A investigação da PF resultou no envio de um relatório à Procuradoria-Geral da República (PGR). Cabe agora ao procurador Paulo Gonet decidir sobre a apresentação de denúncias contra os 37 indivíduos indiciados ou determinar novas investigações.
O documento final das investigações narra uma suposta conspiração para realizar um golpe de Estado nos últimos meses de 2022. O objetivo seria impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e manter Jair Bolsonaro no poder. Adicionalmente, a PF descobriu planos que visavam atentar contra a vida de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro do STF Alexandre de Moraes.
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