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Investigação de violência

Polícia investiga denúncia de estupro coletivo de adolescente em Contagem

Caso envolve quatro jovens de um grupo de amigos; mãe entregou mensagens de celular à polícia que podem ajudar a esclarecer o crime

As investigações seguem sob sigilo, com os adolescentes respondendo por atos infracionais conforme o ECA, sem penas do Código Penal - Imagem: Reprodução
As investigações seguem sob sigilo, com os adolescentes respondendo por atos infracionais conforme o ECA, sem penas do Código Penal - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 18/06/2026, às 08h47


A Polícia Civil de Minas Gerais apura uma denúncia de estupro coletivo contra uma jovem de 17 anos no bairro Arvoredo, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O crime teria ocorrido na noite da última sexta-feira (12), durante uma reunião de amigos na residência da vítima, aproveitando o momento em que os pais dela estavam fora de casa. Ao todo, oito adolescentes participavam do encontro, que contava com o consumo de bebidas alcoólicas.

A jovem relatou que perdeu a consciência logo após desconfiar de que sua bebida havia sido adulterada com alguma substância. Segundo o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar no sábado (13), a adolescente acordou horas depois sem memórias claras do intervalo de tempo, mas com dores e sinais físicos de violência sexual.

Ao recobrar os sentidos, a vítima afirmou ter flagrado dois dos adolescentes abusando dela sem consentimento, enquanto um terceiro observava a cena. Posteriormente, por meio de aplicativos de mensagens, um quarto jovem teria admitido à vítima que também participou do abuso antes de ir embora. Pelo menos quatro rapazes, todos menores de idade, são o foco central da investigação. A adolescente ressaltou que não mantinha relação afetiva com nenhum deles e que parte do grupo foi convidada por um amigo de infância que estava no local, mas que não participou das agressões.

Provas e amparo médico

As investigações contam com um material importante apresentado pela família da vítima. A mãe da adolescente entregou à polícia o histórico de conversas e mensagens trocadas entre a filha e um dos suspeitos após o episódio. O conteúdo já está sob análise e deve ajudar a determinar a conduta de cada um dos presentes.

De acordo com a mãe, o impacto psicológico na rotina da filha tem sido devastador:

"A minha filha está emocionalmente abalada desde o episódio e enfrenta dificuldades para retomar a rotina."

A mãe reforçou publicamente que pretende acompanhar o caso de perto até a conclusão dos trabalhos policiais, cobrando a devida responsabilização de todos os envolvidos.

Após o registro do caso, a adolescente foi encaminhada diretamente ao Hospital de Contagem, onde recebeu amparo médico emergencial e passou pelos exames periciais necessários para a coleta de vestígios. A família informou que também está providenciando suporte psicológico especializado para auxiliá-la no processo de recuperação traumática.

O que dizem as autoridades

Procurada para esclarecer os próximos passos da apuração, a Polícia Civil enviou um posicionamento oficial em nota:

"A Polícia Civil informa que instaurou investigação para apurar as circunstâncias do caso. A corporação ressalta que, devido à natureza do crime e ao envolvimento de adolescentes, as informações do procedimento são mantidas sob sigilo."

Como todos os investigados são menores de idade, o caso corre sob as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Na legislação brasileira, os jovens não respondem por crimes nos moldes do Código Penal comum, mas sim por atos infracionais. Se as responsabilidades forem comprovadas ao final do inquérito, eles serão responsabilizados por ato infracional análogo ao crime de estupro de vulnerável, ficando sujeitos a medidas socioeducativas que podem incluir a internação em centros de reabilitação de menores.

Até o momento, não foram anexadas notas ou manifestações formais por parte da defesa dos adolescentes citados.


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