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PM mata homem com sete tiros após discussão no trânsito e depois reza para que ele sobreviva

Vítima foi atingida após descer do carro com uma faca durante uma discussão; família afirma que ele tentava se render quando foi baleado

Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues tinha esquizofrenia e fazia uso de medicação controlada, diz família - Imagem: Reprodução
Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues tinha esquizofrenia e fazia uso de medicação controlada, diz família - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 17/06/2026, às 18h04


A morte de um homem de 45 anos durante uma ocorrência policial no Jardim Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, passou a ser investigada após a divulgação de imagens registradas por câmeras corporais dos policiais envolvidos. O caso aconteceu em 29 de abril e teve como vítima Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, que, segundo familiares, fazia tratamento para esquizofrenia com o uso de medicamentos controlados.

De acordo com relatos da família, Igor trabalhava com serviços de manutenção, atuando como eletricista, encanador e prestador de reparos em geral. Na tarde do episódio, ele dirigia pela Avenida Raimundo Pereira de Magalhães quando parou o veículo em um semáforo. Em seguida, desceu do carro portando uma faca e correu na direção de um motociclista que aguardava a abertura do sinal.

Após o ocorrido, o motociclista procurou auxílio em um posto de combustíveis próximo, onde encontrou dois policiais militares que estavam em serviço. Os agentes seguiram até o local e iniciaram a abordagem.

As gravações das câmeras corporais mostram que, durante a aproximação da viatura, um dos policiais afirma que iria atirar. Pouco depois, foram efetuados sete disparos no total — seis deles pelo cabo Cauan Alencar Bastos e um pelo soldado José Otávio Pinheiro.

Imagens de uma câmera de segurança instalada nas proximidades registraram o momento em que Igor é atingido. Segundo a interpretação apresentada pelos familiares, ele estaria colocando a faca no chão quando foi baleado, o que indicaria uma tentativa de rendição.

Após os disparos, outras equipes da Polícia Militar chegaram ao local e iniciaram procedimentos de socorro. Enquanto colegas realizavam manobras de reanimação, o cabo envolvido na ocorrência aparece nas imagens pedindo que a vítima resistisse. Em outro trecho da gravação, ele se afasta da movimentação e faz uma oração.

As câmeras também registraram o policial enviando uma mensagem de áudio à esposa. Na gravação, ele relata ter efetuado disparos contra um homem e afirma que a vítima estava em estado grave enquanto aguardava atendimento de resgate.

Segundo o boletim de ocorrência, Igor foi atingido por quatro tiros, com ferimentos na região inferior direita do corpo e nos flancos direito e esquerdo. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.

As imagens analisadas pela família divergem da versão apresentada pelos policiais na delegacia. Em depoimento, os agentes afirmaram que Igor teria avançado tanto contra o motociclista quanto contra a equipe policial com a faca, o que justificaria o uso da arma de fogo.

A Secretaria da Segurança Pública informou que os dois policiais foram afastados das atividades operacionais e são alvo de um Inquérito Policial Militar instaurado no 18º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, com acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar.

Paralelamente, o caso também é apurado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que busca esclarecer as circunstâncias da morte e a atuação dos agentes durante a ocorrência.


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