Indiciamentos são resultado de uma investigação da Polícia Federal sobre uma suposta conspiração golpista durante o governo Bolsonaro em 2022

William Oliveira Publicado em 22/11/2024, às 11h33
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se prepara para iniciar, na próxima semana, a avaliação dos indiciamentos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 36 pessoas. Tais indiciamentos decorrem de uma investigação conduzida pela Polícia Federal (PF), que apurou uma alegada conspiração golpista ocorrida durante o governo Bolsonaro em 2022.
De acordo com os investigadores, a suposta trama tinha como objetivo garantir a permanência de Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota nas urnas, além de planejar o assassinato de figuras políticas como Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes. O relatório final da PF, contendo 884 páginas, já foi submetido ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Após sua leitura e análise, o documento será encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O próximo passo será a avaliação minuciosa das conclusões apresentadas pela PF por parte de Gonet e sua equipe. O desfecho desse processo poderá levar à apresentação de denúncias contra os envolvidos ou ao arquivamento do caso. Alternativamente, o procurador-geral pode requerer investigações adicionais.
Este não é o primeiro episódio em que a PF aponta indícios de irregularidades envolvendo o ex-presidente. Em julho, Bolsonaro foi acusado pela PF de crimes como peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa em um esquema relacionado ao desvio de joias recebidas da Arábia Saudita. Anteriormente, em março, ele também foi indiciado por falsificação de dados e participação em fraude relacionada a registros vacinais contra a Covid-19.
Apesar das evidências apontadas pela PF, até o momento, nenhuma denúncia formal foi apresentada pela PGR. Paulo Gonet teria optado por não prosseguir com acusações durante o período eleitoral, para evitar interferências nas eleições municipais. Essa abordagem cautelosa tem sido característica tanto da PGR quanto da Polícia Federal em investigações sensíveis atualmente em tramitação no STF.
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