Diário de São Paulo
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Caso Master

PF investiga aplicação de R$ 87 milhões da aposentadoria de servidores no Banco Master

Operação da Polícia Federal apura possível gestão temerária de recursos previdenciários de servidores de Cajamar aplicados em bancos privados.

Polícia Federal investiga aplicações milionárias feitas com recursos previdenciários de servidores municipais no Banco Master. - Imagem: Reprodução
Polícia Federal investiga aplicações milionárias feitas com recursos previdenciários de servidores municipais no Banco Master. - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 13/05/2026, às 11h18


A Polícia Federal iniciou uma operação para investigar a aplicação de R$ 87 milhões do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar no Banco Master, levantando preocupações sobre a gestão dos recursos destinados a aposentadorias e pensões.

As investigações revelam que cerca de R$ 107 milhões foram investidos em Letras Financeiras de bancos privados, com suspeitas de irregularidades e exposição excessiva ao risco, autorizadas por dirigentes do instituto previdenciário.

Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos, e a Justiça Federal autorizou medidas cautelares, enquanto a PF busca determinar se houve negligência técnica ou influência política nas decisões de investimento.

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira uma operação para investigar aplicações milionárias feitas com recursos da aposentadoria de servidores públicos de Cajamar, na Grande São Paulo, envolvendo o Banco Master.

Segundo os investigadores, aproximadamente R$ 87 milhões do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC) foram direcionados ao Banco Master entre outubro de 2023 e março de 2024.

Ao todo, cerca de R$ 107 milhões teriam sido investidos em quatro Letras Financeiras emitidas por bancos privados.

A operação, batizada de Off-Balance, mira possíveis irregularidades na gestão dos recursos previdenciários e suspeitas de exposição excessiva ao risco com dinheiro destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores municipais.

De acordo com a PF, os documentos analisados apontam que as aplicações foram autorizadas pelos então dirigentes do instituto previdenciário: Luiz Henrique Miranda Teixeira, diretor-executivo; Milton Marques Dias, diretor administrativo e financeiro; e Marcelo Ribas de Oliveira, diretor de benefícios.

Nesta quarta-feira, agentes federais cumpriram seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Cajamar, Boituva e São Paulo.

A Justiça Federal também autorizou medidas cautelares, incluindo afastamento de função pública e indisponibilidade de bens.

Os mandados foram expedidos pela 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

A investigação busca esclarecer se houve descumprimento das normas que regulam investimentos de institutos previdenciários municipais, além de possível negligência técnica na análise de segurança financeira das aplicações.

O caso acontece em meio ao avanço de outras investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Recentemente, a PF também realizou nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, envolvendo suspeitas de pagamentos ao senador Ciro Nogueira. O parlamentar nega qualquer irregularidade.

Embora os investimentos tenham ocorrido durante a gestão do então prefeito Danilo Joan, atual vice-presidente estadual do PP em São Paulo, ele não é alvo da operação.

Em nota enviada anteriormente à imprensa, o IPSSC afirmou que todos os investimentos seguiram critérios técnicos e legais vigentes à época das aplicações.

Já o ex-diretor Milton Marques Dias declarou que prestou todos os esclarecimentos solicitados pelas autoridades.

Agora, a Polícia Federal tenta identificar se houve influência política, falhas de governança ou decisões incompatíveis com a proteção do patrimônio previdenciário dos servidores públicos.


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