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Corrupção

PF apreende R$864 mil em imóvel de pessoas ligadas a prefeito tiktoker

Rodrigo Manga, prefeito de Sorocaba, é suspeito de receber propinas em contrato de saúde

Rodrigo Manga, prefeito de Sorocaba, é suspeito de receber propinas em contrato de saúde - Imagem: Divulgação / PF
Rodrigo Manga, prefeito de Sorocaba, é suspeito de receber propinas em contrato de saúde - Imagem: Divulgação / PF

Gabriela Thier Publicado em 10/04/2025, às 19h19


Na manhã desta quinta-feira (10), a Polícia Federal (PF) realizou uma operação que resultou na apreensão de R$ 863.854 em dinheiro, encontrado em um local vinculado ao bispo Josivaldo Souza e sua esposa, a pastora Simone Souza. A ação faz parte de uma investigação em curso que apura possíveis irregularidades e corrupção no setor de saúde em Sorocaba, estado de São Paulo.

A operação visou líderes religiosos, incluindo Simone Souza, que é cunhada do atual prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, conhecido como "prefeito tiktoker". O prefeito está sob suspeita de receber propinas relacionadas a um contrato na área da saúde. A quantia foi localizada em uma caixa dentro de um veículo estacionado em um dos endereços do casal religioso durante as buscas realizadas pela PF na igreja e na residência deles.

Além do montante encontrado na caixa, os agentes da PF também descobriram valores em cofres dentro da residência. O dinheiro foi posteriormente enviado à Caixa Econômica Federal para contabilização. A investigação começou após a identificação de movimentações financeiras suspeitas por meio da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados.

O juiz responsável pelo caso determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões dos bens dos investigados, resultando na apreensão dos valores encontrados pela PF. O foco da investigação é um contrato emergencial assinado em 2021 entre a prefeitura e uma Organização Social (OS) para a gestão de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no município.

De acordo com informações levantadas pelo portal UOL, Rodrigo Manga é suspeito de ter recebido propinas através de transações imobiliárias e depósitos em dinheiro feitos a operadores financeiros, incluindo um amigo próximo, o empresário Marco Silva Mott. O nome do prefeito surgiu nas investigações após a análise das quebras de sigilo bancário e fiscal de outros envolvidos no esquema.

Buscas foram realizadas também na residência do prefeito e na sede da Prefeitura de Sorocaba. Agentes da PF compareceram ainda à Secretaria da Saúde e ao diretório municipal do partido Republicanos.

Esta é a terceira investigação relacionada a Rodrigo Manga, que já foi alvo de operações anteriores voltadas para desvios na área da saúde e irregularidades na aquisição de kits de robótica para estudantes.

Os advogados do prefeito se manifestaram sobre a operação, classificando-a como "desnecessária e abusiva". Eles alegaram que a PF estaria realizando uma "pesca probatória", caracterizada por investigações sem um alvo específico que buscam qualquer evidência para incriminar alguém. Em sua nota, os advogados afirmaram que os supostos fatos investigados remontam a 2021 e que não há evidências concretas ligando o prefeito a atos ilícitos.


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