Investigação aponta que idosa atuava como blindagem patrimonial em negócios ligados ao artista

por Marina Milani
Publicado em 21/04/2026, às 12h24
A Polícia Federal aponta que a avó do funkeiro MC Ryan SP, Vera Lúcia Santana, de 58 anos, teria sido utilizada como “laranja” e “testa de ferro” em um esquema de lavagem de dinheiro supostamente liderado pelo artista.
De acordo com a investigação, Vera desempenhava papel central na ocultação de patrimônio e na dissimulação de vínculos empresariais. Ela é companheira de Tiago de Oliveira, apontado como braço direito e responsável pela gestão financeira do grupo investigado.
Segundo a PF, os dois vivem em um imóvel na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, que funcionaria como uma espécie de base operacional das empresas ligadas ao esquema.
As apurações indicam que Vera assumiu formalmente participação em negócios suspeitos, como o restaurante Bololô e a empresa Bololô Eventos e Transportes. No caso do restaurante, MC Ryan SP teria transferido suas cotas para a avó logo após o local ser alvo de buscas por supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital e com a realização de rifas ilegais.
Para os investigadores, a mudança societária teve como objetivo proteger os lucros e afastar o nome do artista da operação formal do negócio. Em 18 meses, o restaurante teria movimentado cerca de R$ 30 milhões.
Além disso, a conta bancária de Vera teria sido utilizada como “conta de passagem” para movimentar recursos entre empresas e operadores do esquema. A PF afirma que ela figura como responsável por ativos milionários incompatíveis com sua renda declarada, assumindo riscos fiscais e administrativos enquanto o beneficiário final permaneceria oculto.
A investigação faz parte da Operação Narco Fluxo, que apura um esquema de lavagem de dinheiro com recursos de origem ilícita, incluindo tráfico internacional de drogas e apostas ilegais. O grupo teria movimentado valores que podem ultrapassar bilhões de reais, segundo estimativas da corporação.
MC Ryan SP foi preso temporariamente durante a operação, assim como Tiago de Oliveira. Já Vera não teve mandado de prisão expedido, mas é alvo de medidas como bloqueio de bens e restrições sobre empresas em seu nome.
A ação mobilizou mais de 200 policiais federais e cumpriu dezenas de mandados de prisão e busca em diversos estados. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de investigados.
Outros nomes conhecidos também aparecem entre os alvos, como o funkeiro MC Poze do Rodo e o influenciador Raphael Sousa, ligado à página Choquei.
As defesas dos envolvidos afirmam que ainda não tiveram acesso integral aos autos e sustentam que irão comprovar a legalidade das atividades. As investigações seguem em andamento, sob sigilo judicial.
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