Conversas interceptadas pela Polícia Federal apontam encontros, pedidos de favores e tratativas envolvendo o traficante Índio do Lixão e Gutemberg Fonseca, ex-secretário do governo do Rio indicado por Flávio Bolsonaro.

Redação Publicado em 25/05/2026, às 09h53
Mensagens interceptadas pela Polícia Federal revelam que Gutemberg Fonseca, ex-secretário de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro e aliado de Flávio Bolsonaro, está sendo investigado por supostas relações com o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como 'Índio do Lixão', em um esquema que envolve o Comando Vermelho.
As comunicações indicam que o traficante mencionou Fonseca em várias ocasiões, discutindo encontros e articulações que sugerem uma colaboração entre o crime organizado e agentes públicos, além de envolver outros ex-servidores do governo fluminense.
Gutemberg Fonseca nega qualquer ligação com o tráfico e afirma não ter atendido pedidos de Índio do Lixão, enquanto a Polícia Federal investiga a profundidade da articulação política em favor do grupo criminoso, que se estende a atividades ilícitas e influência em estruturas governamentais.
Novas mensagens obtidas pela Polícia Federal colocaram o nome de um aliado político de Flávio Bolsonaro no centro de uma investigação que apura relações entre integrantes do Comando Vermelho e agentes ligados ao poder público no Rio de Janeiro.
Segundo diálogos interceptados pela PF, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”, relatou encontros, pedidos e trocas de favores envolvendo Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor do governo fluminense e pré-candidato do PL à Câmara dos Deputados.
Gutemberg foi indicado ao cargo em 2023 por Flávio Bolsonaro e permaneceu na função até abril deste ano.
As mensagens foram trocadas entre o traficante e Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, conhecido como Dudu, ex-assessor do ex-deputado TH Joias. Em uma das conversas, Índio do Lixão afirma: “Mérito que ganha quando eu resolvo algo”, ao comentar uma reunião envolvendo a Secretaria de Defesa do Consumidor, o Procon e a Enel.
A Polícia Federal aponta que o traficante mencionou Gutemberg Fonseca ao menos cinco vezes entre maio e agosto de 2025, relatando encontros, articulações e tentativas de nomeações ligadas ao grupo investigado.
Em outro trecho, o criminoso questiona Dudu sobre a possibilidade de Gutemberg “destravar” demandas internas. Há ainda referência a reuniões supostamente marcadas na sede do Procon-RJ, intermediadas pelo ex-assessor.
As investigações também identificaram mensagens envolvendo Alessandro Pitombeira Carracena, ex-subsecretário estadual de Defesa do Consumidor e ex-secretário de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro. Segundo a PF, Carracena teria recebido dinheiro para atender interesses ligados ao Comando Vermelho e está preso desde setembro de 2025.
Nas conversas, Índio do Lixão afirma ter ajudado politicamente Gutemberg Fonseca e demonstra frustração por não receber retorno esperado. “Se ele quisesse, já teria feito. Ainda mais depois do que eu fiz”, escreveu o traficante em uma das mensagens analisadas pela corporação.
A Polícia Federal sustenta que havia uma “articulação política” em favor dos interesses do grupo criminoso, que atuava não apenas no tráfico internacional de armas, mas também na influência sobre estruturas públicas.
Gutemberg Fonseca negou qualquer relação com o traficante e afirmou não ter atendido pedidos feitos pelo criminoso. O ex-secretário declarou ainda que nunca teve envolvimento com Dudu ou Índio do Lixão e ressaltou que não foi indiciado pela PF.
“Se tivesse alguma coisa, a Polícia Federal teria me indiciado”, afirmou.
A defesa dos demais citados não comentou o caso até a última atualização desta reportagem.
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