Atualmente, sua liderança impulsiona o PCC ao tráfico internacional e a uma receita anual de R$ 5 bilhões

por Marina Milani
Publicado em 14/12/2024, às 09h30
Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, é a figura central do Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do Brasil. Sua trajetória revela como ele ascendeu ao poder dentro da organização, utilizando inteligência estratégica e relações controversas para consolidar sua liderança.
Elo de poder
No vídeo obtido pelo portal Metrópoles, Marcola conta sobre sua relação com Guilherme Silveira Rodrigues, ex-diretor do Carandiru, que, segundo ele, o tratava como um filho devido à sua habilidade de mediar conflitos no presídio. Durante sua passagem pelo Carandiru, um dos maiores presídios da América Latina, Marcola teria sido um dos responsáveis por evitar mortes e controlar tensões internas entre os detentos, muitos deles condenados por crimes violentos.
Marcola narra um episódio no qual, a pedido do diretor, comprometeu-se a “segurar as pontas” no controle da massa carcerária, desde que fosse transferido para outro estado. Essa transferência foi viabilizada por Silveira junto à Secretaria de Segurança Pública, culminando em sua ida para o presídio de Ijuí, no Rio Grande do Sul.
Essa conexão com um alto funcionário do sistema prisional demonstra a complexidade das relações de poder dentro e fora dos presídios, onde líderes de facções muitas vezes estabelecem laços com agentes institucionais para benefício mútuo.
A rebelião de 2001
A transferência de Marcola para o Sul ocorreu pouco antes da primeira grande rebelião orquestrada pelo PCC, em fevereiro de 2001, que mobilizou simultaneamente 29 presídios no estado de São Paulo. Embora as autoridades tenham atribuído o motim à transferência de líderes como Marcola, ele nega qualquer envolvimento direto, afirmando que o movimento foi espontâneo.
Durante a rebelião, Marcola foi responsabilizado pela morte de oito detentos ligados à facção rival Seita Satânica, o que resultou em sua condenação a 152 anos de prisão. No entanto, ele alega que, à época, já estava no sistema prisional gaúcho e que sua transferência foi um pedido pessoal, sem conexão com as revoltas.
Essa fase marca a consolidação do PCC como uma força criminosa nacional, que utilizava as rebeliões como instrumento de negociação com o Estado e para reforçar seu domínio sobre o sistema carcerário.
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O assassinato da esposa
Outro episódio crucial em sua trajetória foi o assassinato de sua esposa, Ana Maria Olivatto Herbas Camacho, em 2002. Ana Maria, que era advogada, foi morta a tiros em São Paulo, e Marcola atribui o crime a antigos aliados do PCC, os fundadores Geleião e Cesinha, que teriam conspirado contra ele.
A morte da esposa representou um ponto de virada. Ele relata que, até então, não ocupava o posto de liderança, mas os acontecimentos o levaram a assumir o controle total da organização. Após a execução de Ana Maria, Marcola ordenou retaliações: Geleião e Cesinha foram considerados traidores e, posteriormente, removidos da facção.
Cesinha foi assassinado em 2006, e Geleião morreu de Covid-19 em 2021. Desde então, Marcola se mantém como líder máximo do PCC, organizando a facção em um modelo empresarial eficiente e altamente lucrativo.
Sob a liderança de Marcola, o PCC passou de uma organização focada no controle de presídios para uma multinacional do crime organizado, com operações no tráfico internacional de drogas, armas, lavagem de dinheiro e até assassinatos por encomenda.
Estima-se que o PCC tenha uma receita anual de R$ 5 bilhões, grande parte proveniente do tráfico de cocaína para a Europa e outros mercados internacionais. A organização opera com uma estrutura hierárquica bem definida, semelhante à de grandes corporações, onde cada integrante tem funções específicas e presta contas à liderança central.
Além disso, o PCC diversificou suas operações, investindo em negócios legais para lavar dinheiro ilícito e ampliando sua influência em estados fora de São Paulo, como Mato Grosso do Sul e Paraná, além de países vizinhos como Paraguai e Bolívia.
O impacto do comando de Marcola no sistema prisional
Mesmo preso, Marcola continua exercendo influência sobre o PCC e o sistema penitenciário brasileiro. Ele é constantemente transferido entre presídios federais de segurança máxima para evitar que exerça controle direto sobre as atividades da facção.
Marcola utiliza advogados e visitas de familiares para enviar ordens ao PCC, além de explorar brechas no sistema para se comunicar com aliados fora das prisões.
Essa situação expõe a fragilidade do sistema penitenciário e a dificuldade das autoridades em conter o poder de líderes como Marcola, que utilizam sua inteligência e influência para operar uma rede criminosa mesmo em condições de encarceramento extremo.
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