O apóstolo foi denunciado ao MP após fala durante a última edição da Marcha

Vitória Tedeschi Publicado em 11/06/2023, às 14h04
Na última sexta-feira (09) o ex-deputado estadual Átila Nunes (PSD-RJ) acionou o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra o apóstolo Estevam Hernandez, um dos organizadores da Marcha Para Jesus.
Isso porque, em evento com cerca de dois milhões de pessoas em São Paulo, nesta semana, o líder religioso perguntou durante seu discurso se os presentes preferiam um Brasil "macumbeiro ou evangélico".
Um dia eu estava no estádio do Maracanã e ele disse assim: nos próximos anos, o Brasil será o maior país macumbeiro do mundo ou maior país mais evangélico do mundo? Depende de você porque depende de nós", disse o apóstolo no episódio, se referindo a um encontro com um pastor há algumas décadas.
Assim, por esse motivo, Átila Nunes resolveu abrir uma representação por crime contra o sentimento religioso. Segundo ele, casos como esse ferem a liberdade religiosa no Brasil, que é garantida pela Constituição, e ultrapassam a liberdade de expressão.
Quando eles vêm muita multidão, eles se entusiasmam, conseguem colocar para fora o que está guardado no íntimo deles: a intolerância religiosa. Única forma de deter esses intolerantes poderosos é denunciando no Ministério Público. Não paramos ele sem recorrer aos canais oficiais", disse ele em entrevista ao Globo.
O ex-parlamentar defende ainda que a atitude do organizador gera ojeriza na comunidade espírita e entre adeptos das religiões africanas.
"É de conhecimento geral que o Brasil é formado por uma grande população de origem africana que, muitas vezes esconde ou nega suas origens religiosas por receio de sofrer discriminação e até mesmo segregação social. Isso se justifica em razão de que, na maioria das vezes, religiões neopentecostais enraízam em seus seguidores que as religiões os cultos africanos são diabólicos e que todos aqueles que os seguem devem ser banidos de um convívio social saudável e de 'bem'", disse ele.
Na representação, ele também pediu que Hernandes faça um retratação pública, além da aplicação de eventuais penalidades. O advogado sugeriu o pagamento de R$ 50 mil em danos morais revertidos em projeto social voltado para prevenir o preconceito religioso.
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