O rapper Oruam e seu amigo foram acusados de arremessar pedras em policiais durante operação, resultando em ferimentos

William Oliveira Publicado em 30/07/2025, às 10h37
A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público e transformou em réus o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, e seu amigo Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira. A decisão foi proferida pela juíza Tula Correa de Mello, da 3ª Vara Criminal.
Segundo a magistrada, a influência de Oruam sobre os jovens pode reforçar comportamentos violentos.
“O acusado MAURO, com visibilidade em razão de suas apresentações como "artista", é referência para outros jovens e que, como o ora acusado, podem acreditar que a postura audaciosa de atirar pedras e objetos em policiais é a mais adequada e correta, sem quaisquer consequências. A paz pública, portanto, depende de medidas firmes e extremas, como a prisão, a fim de que seja preservada"”, justificou.
De acordo com o processo, os dois réus teriam arremessado pedras de até 4,85 kg contra policiais, a partir da varanda da casa do cantor, após a apreensão de um adolescente durante uma operação na região. Um agente ficou ferido nas costas; outro precisou se proteger atrás de uma viatura.
O Ministério Público destacou que os atos foram motivados por dolo eventual, com métodos considerados cruéis e motivação torpe, o que pode enquadrá-los na Lei dos Crimes Hediondos. Com isso, foi solicitada a prisão preventiva dos envolvidos, medida acatada pela Justiça.
Histórico de acusações
Oruam já havia sido indiciado por sete crimes anteriores, como desacato, resistência, ameaça e tráfico de drogas. Após a decretação da prisão preventiva, o artista se entregou voluntariamente ao subsecretário da Polícia Civil, Carlos Alberto de Oliveira.
Em audiência de custódia, a juíza Rachel Assad da Cunha manteve a prisão preventiva. O rapper foi transferido para a Penitenciária Dr. Serrano Neves, no Complexo de Gericinó, onde está em cela individual.
Antes da prisão, Oruam declarou publicamente: “Não sou bandido, tudo o que eles querem é que eu fique aqui, mas eu não sou bandido, então vou me entregar”.
A denúncia também o acusa de incitar violência contra os agentes, durante uma operação que tinha como alvo o jovem conhecido como “Menor Piu”, procurado por envolvimento com o tráfico de drogas. O artista e outros indivíduos teriam confrontado os policiais.
Durante sua defesa, Oruam disse ter sido pego de surpresa: “Eu tava saindo de casa, do nada vi um carro saindo muito voado e saiu falando: 'Perdeu, perdeu', totalmente descaracterizado. Eu não entendia o que tava acontecendo”.
Relação com Marcinho VP
Oruam é filho de Marcinho VP, apontado como liderança do Comando Vermelho e condenado por diversos crimes. Apesar da ligação, o rapper afirma que sua carreira musical é fruto exclusivo de seu esforço. “Tudo o que tenho veio da música”, afirmou.
Mesmo com seu perfil principal removido, o artista conta com mais de 2,1 milhões de seguidores nas redes sociais e uma base fiel de fãs, conhecida como “Tropa do Oruam”, que o acompanha em eventos e declara apoio nas redes, mesmo em meio às recentes acusações.
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