Além do adolescente que redigiu o texto, outros três jovens também confirmaram abusos perpetuados pelo réu em depoimento

William Oliveira Publicado em 14/01/2025, às 10h23
Na última sexta-feira (10), a Justiça do Distrito Federal proferiu uma sentença contra um homem acusado de abusar sexualmente de quatro crianças, todas do sexo masculino e sobrinhos do réu. A descoberta dos crimes ocorreu após uma redação intitulada "Bullying Sexual", escrita por uma das vítimas em março de 2024, na qual o menino descreveu os abusos que sofreu.
O adolescente que redigiu o texto relatou em seu depoimento que as investidas do tio começaram em 2019. Outras duas vítimas enfrentaram os abusos desde 2014, enquanto a quarta criança foi alvo de violência sexual a partir de 2022. Os crimes foram cometidos em residências do agressor e de outros familiares, incluindo avós e tias, nas localidades de Santa Maria, Vicente Pires e Jardim Botânico.
Todos os meninos confirmaram os abusos durante os depoimentos. As ações do homem incluíam desde toques nas partes íntimas das crianças até a exposição a conteúdos pornográficos. Uma das vítimas relatou que foi tocada e beijada à força pelo tio logo após ele retornar de um culto religioso, onde atuava como músico. Na ocasião, o menino estava distraído com seu celular quando o homem entrou em casa e o agrediu.
Outra criança revelou que o tio a tocou enquanto ela tomava banho com seu irmão. O relato detalhou que o homem entrou na banheira vestido apenas com uma cueca e agiu de forma libidinosa ao passar uma bucha por dentro da roupa íntima da criança.
O agressor utilizava ameaças para silenciar as crianças, afirmando que se contassem aos pais, suas mães também estariam em perigo.
A denúncia dos crimes veio à tona quando uma das vítimas apresentou sua redação ao professor, que imediatamente comunicou a coordenação da escola. Como resultado, as famílias foram informadas e as mães começaram a questionar seus filhos sobre os episódios, levando à revelação dos horrores que as crianças enfrentaram ao longo dos anos.
Durante o processo judicial, o réu admitiu ter cometido abuso "apenas uma vez" contra dois dos sobrinhos e negou ter mostrado vídeos pornográficos para as crianças. Ele permaneceu preso preventivamente até o julgamento.
Na decisão final proferida pelo juiz do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Águas Claras, o homem foi condenado a 26 anos e cinco meses de reclusão.
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